Ucrânia pede à Rússia para assumir responsabilidades pelo ataque ao voo MH17

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano lança apelo à Federação Russa depois de investigadores internacionais terem acusado três russos de terem disparado um míssil que provocou a queda do avião

A Ucrânia pediu esta quarta-feira à Rússia para assumir a responsabilidade pelo ataque que provocou a queda avião do voo MH17 da Malaysia Airlines, em 2014, na sequência da acusação a quatro suspeitos (três deles russos), por uma comissão internacional.

"Pedimos à Federação Russa que reconheça a sua responsabilidade", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, num comunicado, após uma equipa de investigadores internacionais ter acusado três russos e um ucraniano, todos separatistas pró-russos, da autoria do ataque com um míssil.

A Rússia tem negado qualquer envolvimento no ataque, culpando Kiev pela queda do avião, afirmando que o míssil encontrado nos escombros do acidente pertence aos arsenais do exército ucraniano.

Os réus identificados esta quarta-feira serão julgados na Holanda, em 2020, pela autoria do ataque com um míssil que, em 17 de julho de 2014, matou os 283 passageiros (196 deles de naturalidade holandesa) e 15 tripulantes do voo MH17 da Malaysia Airlines, na zona de conflito armado no leste da Ucrânia, a zona separatista da antiga república soviética, quando viajava entre Amesterdão e Kuala Lumpur.

Segundo a comissão internacional de investigação, liderada pela Holanda, o Boeing da Malaysia Airlines foi abatido por um míssil proveniente da 53.ª brigada anti-aérea russa, baseada em Kursk (na Rússia).

Numa conferência de imprensa na cidade holandesa de Nieuwegein, os responsáveis holandeses pela comissão internacional de investigação anunciaram que os mandados de captura internacionais serão emitidos para os russos Sergey Dubinsky, Oleg Pulatov e Igor Girkin, e para o ucraniano Leonid Chartsjenko.

Os responsáveis da comissão internacional de investigação disseram ainda que é provável que os réus sejam julgados à revelia, já que a Constituição da Rússia e da Ucrânia não permite a extradição de cidadãos.

Por isso, o Governo ucraniano pede a Moscovo para "colaborar com a investigação internacional", permitindo o acesso a todos os dados, testemunhas e arguidos.

A queda do voo MH17 deteriorou ainda mais as relações entre a Rússia e os países ocidentais, que já estavam muito afetadas após a anexação da península ucraniana da Crimeia por Moscovo, em 2014.

Após as revelações dos investigadores sobre a origem russa do míssil, a União Europeia e a NATO pediram a Moscovo para reconhecer a sua responsabilidade no ataque.

Em julho, líderes do G7 também instaram a Rússia a "reconhecer o seu papel" no caso, dizendo que a investigação apresentou a conclusões "convincentes" e "profundamente preocupantes" sobre o seu envolvimento.

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