Turquia ataca enclave curdo na Síria e recebe criticas dos EUA

Ancara garante que irá eliminar "todas as redes terroristas" no norte do país. As YPG dizem-se prontas a enfrentá-los

A artilharia turca disparou ontem contra Afrin naquilo a que Ancara está chamar de uma campanha militar contra aquele enclave curdo na Síria. Os Estados Unidos já reagiram, dizendo que este ataque apenas serve para destabilizar a região.

Este bombardeamento transfronteiriço tem lugar dias depois do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçar esmagar as milícias curdas das Unidades de Proteção do Povo (YPG) em Afrin em resposta ao crescimento da força curda através de um largo território do norte da Síria. "A operação já começou com um bombardeio transfronteiriço", garantiu ontem o ministro da Defesa turco, Nurettin Canikli, acrescentando que Ancara não enviou tropas para Afrin.

Para os Estados Unidos, a ação da Turquia vai minar a estabilidade regional e não ajudará a garantir a segurança da fronteira turca, disse ontem a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, que pediu a Ancara para que se concentre na luta contra o Estado Islâmico. "Não acreditamos que uma operação militar sirva a causa da estabilidade regional, a estabilidade da Síria ou até mesmo as preocupações da Turquia sobre a segurança da sua fronteira", disse a mesma fonte aos jornalistas. "O tipo de ameaças ou atividades a que estes relatos iniciais se podem estar a referir, não achamos que melhorem qualquer um desses temas. Só destabilizam".

A Reuters TV filmou artilharia turca na vila fronteiriça de Sugedigi a disparar contra a região de Afrin. As YPG afirmaram que as forças de Ancara dispararam 70 projéteis contra vilas curdas entre a madrugada e a manhã de ontem. Os bombardeamentos continuaram durante a tarde, acrescentou Rojhat Roj, um porta-voz da YPG em Afrin, alegando que este foi o ataque turco mais intenso desde que a Turquia ameaçou levar a cabo ações militares contra a região curda. "As YPG estão prontas para enfrentar as tropas turcas e os terroristas do Exército Nacional Sírio. Estamos prontos a enterrá-los um a um em Afrin", disse a milícia em comunicado.

Mas Nurettin Canikli garantiu que a Turquia está determinada em destruir o grupo curdo. "Todas as redes terroristas e elementos no norte da Síria serão eliminados. Não há outro caminho", declarou o ministro da Defesa turco. "A operação em Afrin pode levar muito tempo, mas o grupo terrorista será rapidamente lá desfeito".

Na quinta-feira, milhares de curdos saíram à rua em Afrin para protestar contra o que chamam de uma agressão da Turquia, numa altura em que Ancara posicionava as suas forças junto à fronteira para levar a cabo o ataque de ontem. "As pessoas estão a protestar para garantir que Afrin nunca cairá nas mãos dos traidores turcos", disse uma manifestante, citada pela RT. "Nós, como povo de Afrin, iremos defender a nossa cidade e aqueles fascistas turcos não nos podem derrotar, iremos defendermo-nos até à última gota de sangue".

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