Trump sai de Davos já a pensar no Estado da União

Presidente defendeu que o seu país está primeiro, mas aberto para negócios. Tema que deverá abordar no Congresso na terça-feira

Donald Trump levou a sua mensagem da "América primeiro" para Davos, tendo afirmado no seu discurso de ontem, perante uma plateia de governantes e empresários, que os Estados Unidos "não fecharão mais os olhos" ao que ele descreveu como práticas comerciais injustas, mas deixando claro que o país está "aberto para fazer negócios".

"Esta é a melhor altura para trazerem o vosso dinheiro, os vossos empregos, os vossos negócios para a América", declarou o presidente norte-americano, chamando a atenção para os cortes de impostos e as restrições à regulamentação como uma melhoria para o clima de investimento. "O mundo está a testemunhar o ressurgimento de uma América forte e próspera."

Deixando claro que irá continuar a promover o "América primeiro", dizendo esperar que outros líderes mundiais façam o mesmo pelos seus países, Trump ressalvou que esta linha política não é sinónimo de "América sozinha". "Quando os Estados Unidos crescem, o mundo também cresce", sublinhou.

Ao mesmo tempo, exigiu uma aplicação mais rigorosa das regras comerciais, acusando países que não identificou de práticas desleais, incluindo roubo de propriedade intelectual e concessão de ajuda estatal à indústria. "Iremos reforçar as nossas leis comerciais e restaurar a integridade do sistema comercial", adiantou o presidente norte-americano. "Os Estados Unidos não fecharão mais os olhos a práticas comerciais injustas. Não podemos ter um comércio livre e aberto se alguns países exploram o sistema às custas de outros." O republicano adiantou ainda que os Estados Unidos irão procurar fazer acordos comerciais bilaterais com determinados países, que poderão incluir os membros do Acordo Transpacífico, o qual a atual Casa Branca abandonou.

O discurso de Trump, o primeiro presidente dos EUA a ir a Davos em 18 anos, não teve direito aos aplausos que interromperam as intervenções de outros chefes de Estado durante a cimeira. Apenas no final da sua alocução recebeu palmas, que a Associated Press descreveu como "um aplauso educado". Já no período de perguntas e respostas, Trump acabou por receber o apupo da tarde, quando disse que ao tornar-se político se apercebeu "até que ponto a imprensa pode ser nojenta, cruel e falsa".

O discurso de Trump em Davos serviu de ensaio para alguns dos segmentos do discurso do Estado da União que o presidente fará na terça-feira perante o Congresso, de acordo com fontes da Casa Branca ouvidas pela CNN.

Segundo analistas, quem esperar na terça-feira uma repetição da subida do mercado bolsista que se seguiu à intervenção de Trump no Congresso em 2017 ficará desapontado. Mas esperam que o presidente se gabe desse feito, abordando ainda temas como acordos comerciais (o tema central da sua intervenção em Davos), imigração (no centro da discussão entre republicanos e democratas e que levou ao shutdown do governo) e o investimento em infraestruturas.

Mas o discurso corre o risco de ser ultrapassado em termos de atenção pela entrevista que Stormy Daniels, a atriz porno que alegadamente teve uma relação com Trump, dará a Jimmy Kimmel após o Estado da União.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG