Trump não conseguiu comprar a Gronelândia, mas abriu agora um consulado lá

Rico em recursos naturais, desde o petróleo ao zinco, e com a perspetiva da abertura de novas rotas marítimas com o aquecimento global, o território autónomo da Dinamarca atraiu a atenção dos EUA, China e Rússia.

Em agosto de 2019, o presidente norte-americano, Donald Trump, mostrou-se interessado em comprar a Gronelândia à Dinamarca. Os dinamarqueses não acharam piada e disseram que não. Mas, neste vasto território do Ártico, o investimento norte-americano é muito bem-vindo e os EUA abriram esta quarta-feira um consulado na sua capital, Nuuk.

"O consulado é outro sinal positivo da forte colaboração entre o governo norte-americano e os governos da Gronelândia e da Dinamarca", disse a embaixadora dos EUA em Copenhaga, Carla Sands.

O próprio secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse no Twitter que a reabertura do consulado em Nuuk -- o anterior foi fechado em 1953 -- "vai fortalecer a nossa parceria com os nossos aliados no Ártico e aumentar a prosperidade partilhada dos nossos amigos na Dinamarca e na Gronelândia".

A compra e a crise diplomática

Depois de começarem a correr as notícias de que o presidente norte-americano tinha mostrado interesse em comprar o território, o próprio Trump publicou no Twitter uma fotomontagem de uma aldeia desta região autónoma dinamarquesa com uma Trump Tower, acrescentando: "Prometo não fazer isto à Gronelândia".

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, não gostou: "A Gronelândia não está à venda. A Gronelândia não é dinamarquesa. A Gronelândia pertence à Gronelândia. Espero seriamente que não seja suposto levar isto a sério", disse ao jornal Sermitsiaq. "É uma discussão absurda e Kim Kielsen [chefe do governo da Gronelândia] deixou claro que a Gronelândia não está à venda. É aqui que termina a conversa."

Trump, que devia visitar a Dinamarca, cancelou então a viagem. "A Dinamarca é um país muito especial com pessoas incríveis, mas com base nos comentários da primeira-ministra Mette Frederiksen, de que não estava interessada em discutir a compra da Gronelândia, vou adiar o nosso encontro marcado para dentro de duas semanas para outra altura".

Noutra ocasião, Trump considerou "desagradáveis" os comentários de Frederiksen, que disse ter ficado surpreendida e desapontada com a decisão do presidente de cancelar a viagem. Entretanto, em dezembro os EUA receberam luz verde de Copenhaga para abrir um consulado.

No final de abril, a Gronelândia disse que tinha aceitado uma oferta de 12,1 milhões de dólares dos EUA para financiar a indústria mineira, o turismo e a educação no território.

Apesar de ter o seu próprio governo e parlamento, a Gronelândia está dependente em termos económicos dos subsídio dinamarqueses, com as relações externas a estarem também nas mãos de Copenhaga.

A Gronelândia (em gronelandês: Kalaallit Nunaat, "nossa terra"; em dinamarquês: Grønland, "terra verde"), é uma ilha gigante de muito gelo e vegetação, com 2,1 milhões de quilómetros quadrados (24 vezes maior do que Portugal) e uma densidade populacional de apenas 0,026 habitantes por quilómetro quadrado - tem 56 mil habitantes e é das zonas menos habitadas do planeta.

Rica em recursos naturais, incluindo petróleo, gás, ouro, diamantes, urânio e zinco, e a perspetiva de novas rotas marítimas fruto do aquecimento global, a Gronelândia atraiu a atenção dos EUA, da China e da Rússia.

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