Trump é afinal a favor das máscaras: "Já usei uma e fiquei bem. Parecia o Lone Ranger"

Presidente norte-americano declarou-se "completamente a favor das máscaras", no dia em que os EUA ultrapassaram a fasquia de 50 mil novos casos de infeção por covid-19

O Presidente norte-americano, que nunca foi visto em público com uma máscara, garantiu que a colocação deste objeto de prevenção de infeções com o novo coronavírus não lhe colocaria "qualquer problema" se as condições lhe o exigissem.

"Isso não me colocaria qualquer problema (...). Se estivesse em uma situação de proximidade com as pessoas, fá-lo-ia", afirmou o republicano Donald Trump na estação de televisão Fox, quando várias zonas dos EUA registam uma subida acentuada do número de infeções com o novo coronavírus. "Na maior parte do tempo, não estou nessa situação", adiantou, sublinhando que todas as pessoas com quem fala são testadas antes.

Trump declarou-se mesmo "completamente a favor das máscaras". "Penso que as máscaras são uma boa coisa", disse também, mas mostrou-se duvidoso quanto à ideia de as tornar obrigatórias ao nível nacional. "Há muitos locais no país onde as pessoas estão muito afastadas" umas das outras, referiu.

Numerosos republicanos, entre os quais o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, encorajam cada vez mais os norte-americanos a usarem máscaras.

O próprio vice-presidente, Mike Pence, já se apresentou em público com máscara por várias vezes, mas Trump nunca foi visto em público com a cara coberta. Porém, o presidente norte-americano diz que já utilizou uma máscara negra e que gostou do que viu ao espelho: "Era uma máscara negra e penso que me ficou bem. Estava parecido com o Lone Ranger."

Nas últimas 24 horas, os EUA registaram 52 898 novas infeções, de acordo com a contagem desta quarta-feira da Universidade Johns Hopkins, quando o país enfrenta um rápido aumento de novos casos.

De acordo com os dados apurados pela instituição de Baltimore, o país contabiliza desde o início da pandemia 2.682.270 diagnósticos positivos da Covid-19.

Além disso, nas últimas 24 horas ocorreram 706 óbitos, elevando o número de mortes no país devido ao vírus a 128 028.

Goldman Sachs diz que máscaras podem salvar a economia

Se o argumento de que salva vidas não é suficiente, talvez o de que pode também salvar a economia possa ser. O banco de investimento Goldman Sachs concluiu que decretar a obrigatoriedade de uso de máscaras em plena pandemia de coronavírus nos EUA poderá evitar um rombo de 5% no Produto Interno Bruto (PIB).

"Descobrimos que as máscaras faciais estão associadas a um resultado significativamente melhor em relação ao coronavírus", indicou o principal economista da Goldman Sachs, Jan Hatzius, num estudo publicado na segunda-feira.

Com base na análise das tendências em 125 países, o estudo estima que os casos de coronavírus aumentaram 17,3% por semana onde não existe obrigatoriedade de uso de máscara, mas apenas 7,3% onde esta existe.

Nos EUA, os estados onde as máscaras não são obrigatórias representam dois terços dos novos casos confirmados -- mais de 40 mil esta terça-feira, para os quase 2,7 milhões em todo o país, com 129 mil mortes desde o início da pandemia.

Uma exigência a nível nacional iria levar mais pessoas a usar máscara e reduzir o aumento diário de casos para cerca de 1%, em vez dos 2,9% agora registados.

Indicando que o uso de máscaras se tornou "num tema político e cultural" nos EUA, a Goldman Sachs diz não saber se a obrigatoriedade do uso de máscaras vai ser possível nos EUA. Contudo, diz que gestos nesse sentido das autoridades estaduais e locais, se suficientemente alargados, podem na prática vir a imitar o impacto de uma obrigatoriedade a nível nacional.

"Seja como for, os nossos analistas sugerem que a economia podia beneficiar significativamente de tais gestos, especialmente quando comparada com a alternativa, que é o regresso dos confinamentos alargados", indicaram.

Mais Notícias