Trump anuncia que Putin está a retirar a sua gente da Venezuela

Na visita ao Reino Unido, o presidente dos EUA não usa o Twitter só para insultar o presidente da Câmara de Londres e desconsiderar os protestos de que é alvo: acaba de anunciar que a Rússia "nos informou que retirou a maioria do seu pessoal da Venezuela." "Desinformação", diz site russo Sputnik, citando o embaixador russo em Caracas.

"A Rússia informou-nos de que retirou a maior parte do seu pessoal da Venezuela." O tuíte de Donald Trump é do início da noite desta segunda-feira, lançado em plena visita ao Reino Unido, pouco tempo antes do início do banquete em sua honra no Palácio de Buckingham.

A verdade é que na manhã de domingo o Wall Street Journal tinha já adiantado a notícia, titulando: "Em golpe contra Maduro, Rússia retira apoio militar à Venezuela." No corpo da notícia, que se afirma baseada em "fontes no Kremlin", asseverava-se que a Rússia tinha retirado os seus principais consultores militares do país, num claro revés para o presidente venezuelano. E que o motivo seria a falta de pagamento das faturas por parte do governo de Maduro.

O jornal informava ainda que a Rostec, a empresa estatal de defesa russa, teria diminuído o seu contingente no país de "cerca de mil" para "algumas dezenas", facto que "fontes" no Pentágono teriam confirmado, em conversa telefónica.

Ainda antes do tuite de Trump, porém, o site russo Sputnik desmentira já a notícia do WSJ, citando o embaixador russo em Caracas, Vladimir Zaemsky. Surgida no início da tarde desta segunda-feira, a notícia do Sputnik atribui ao embaixador um desmentido cabal: "Trata-se de mais uma 'notícia' que não corresponde absolutamente em nada à realidade. O trabalho está a ser realizado em conformidade com as obrigações, e não há nenhuma conversa sobre diminuição [de pessoal]."

Também a Rostec é citada via comunicado exarado na manhã de segunda: "Os números, mencionados na notícia do The Wall Street Journal em relação à presença de funcionários da Rostec na Venezuela, foram exagerados em dezena de vezes. A composição da representação continua inalterável há anos. Em se tratando de especialistas técnicos, eles visitam periodicamente o país [Venezuela] para conserto e manutenção de equipamentos antes fornecidos. Há uns dias, por exemplo, finalizámos a manutenção de um lote de caças."

Ainda assim, o Sputnik frisa que os contratos de apoio militar russo à Venezuela, sob a forma de de "especialistas destacados no país para fornecimento de sistemas de armamento russos", foram assinados antes do início da crise política no país, e que responsáveis russos já admitiram recentemente que não deverão ser assinados contraoso posteriores, dadas as dificuldades financeiras que a Venezuela atravessa. E, numa notícia sobre o tuite de Trump assinala que apesar do desmentido do embaixador russo na Venezuela o governo russo ainda não fez qualquer comentário às afirmações do presidente americano.

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