Trump acusado por sócios de fugir ao fisco no Panamá

Queixa deu entrada num tribunal de Nova Iorque e acusa a empresa de Trump, agora gerida pelos filhos, de lesar um estado estrangeiro. De acordo com os autores da queixa, o fisco panamiano detetou declarações falsas da empresa da família Trump durante uma auditoria em 2018. A empresa ainda não deu qualquer esclarecimento sobre a matéria.

A queixa apresentada contra a Organização Trump esta segunda-feira provém dos donos de um hotel de luxo na Cidade do Panamá que já foi gerido pela Organização e foi noticiada esta segunda-feira à noite peloNew York Times.

A acusação diz respeito à forma como a empresa geriu o hotel entre 2011 e 2018, estando em causa o incumprimento de várias obrigações contributivas, quer relativas aos ordenados do pessoal, que teriam sido subdeclarados de forma a que a Organização Trump entregasse menos contribuições à Segurança Social, quer aos proventos da própria Organização, que não teria pagado a taxa imposta pelo Estado panamiano a empresas estrangeiras que operem no país.

De acordo com o NYT, não fica claro na queixa qual a quantia que a empresa da família Trump poderá estar a dever ao Estado panamiano, nem a quanto tempo dizem respeito as alegadas dívidas, mas em causa estarão milhões de dólares pelos quais os donos do hotel, que acabaram o contrato com os Trump, poderão ser demandados devido à situação fiscal irregular, assim como os danos reputacionais decorrentes da situação.

A queixa surge quando Trump está a enfrentar precisamente uma dura ofensiva dos democratas para investigar as suas finanças, nomeadamente as suas declarações de impostos, que sempre se recusou a entregar.

Mas, diz o NYT, daquilo que se sabe até agora das finanças de Trump é patente que o presidente recebeu, no passado, pelo menos centenas de milhares de euros pela gestão do hotel da Cidade no Panamá, mas uma vez que não dá acesso às suas declarações de impostos não há informação sobre se pagou a taxa de 12,5% que aquele país impõe sobre os proventos de empresas estrangeiras a operar no seu solo.

O conflito iniciou-se em 2017, quando o cipriota Orestes Fintiklis adquiriu maioria no hotel. Em 2018, depois de conflitos que chegaram a confronto físico e implicaram à intervenção da polícia, Fintiklis cancelou o contrato com a OT, que deveria ter gerido o empreendimento até 2031, e mudou-lhe o nome de The Trump International Hotel and Tower para JW Marriott.

O hotel na Cidade do Panamá, que com 70 andares é o edifício mais alto do país, era o único empreendimento Trump na América Latina.

O cancelamento do contrato levou a processos cruzados: a OT, acusou Fintiklis de fraude e pede três milhões por danos; o cipriota exige à empresa da família do presidente que lhe pague 35 milhões em vários processos que correm nos EUA, no Panamá e num tribunal arbitral internacional..

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