Trégua na Síria começou com dia de acalmia e alguns casos de violência

Coligação liderada pelos EUA respondeu com bombardeamentos a ataques do Estado Islâmico perto da fronteira com a Turquia. Forças de Bashar al-Assad negam acusação de violação do cessar-fogo feita pelos rebeldes

O primeiro dia desta nova trégua na Síria foi marcado por um silêncio quase generalizado das armas, interrompido por alguns incidentes, e com a Rússia a optar pela suspensão dos ataques aéreos. Este cessar-fogo, que começou à meia-noite de ontem, foi acordado entre Washington e Moscovo e aceite pelo presidente Bashar al-Assad, é visto pelas Nações Unidas como uma oportunidade única para alcançar a paz na Síria.

Um dos grandes contributos para este primeiro dia de acalmia foi a decisão da Rússia em suspender temporariamente os seus ataques aéreos de forma a evitar bombardear alvos por engano. Neste sentido, as forças militares de Moscovo e Washington trocaram mapas da Síria.

No entanto, os russos garantiram que irão continuar a sua campanha nas áreas controladas pelo Estado Islâmico, organização terrorista que, a par da Frente al-Nusra, não está incluída neste cessar-fogo.

Os líderes das diplomacias russa e norte-americana "saudaram" ontem este cessar-fogo e discutiram as várias formas de o apoiar através da cooperação entre as forças militares dos dois países. Numa conversa telefónica, Serguei Lavrov e John Kerry "também discutiram as perspetivas de retomar o processo de negociação de paz no âmbito do Grupo Internacional de Apoio à Síria", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia em comunicado citado pelo AFP.

A próxima ronda de negociações, anunciada na sexta-feira pelo enviado especial da ONU para a Síria, está marcada para o dia 7 de março em Genebra, na Suíça.

Segundo as forças rebeldes, houve violações da trégua por parte das tropas do regime de Damasco. Episódios que, alegam, poderão colocar em risco este acordo. Jaish al-Nasr, um grupo ligado ao Exército Livre Sírio e que concordou com o cessar-fogo, garantiu que ontem tropas governamentais dispararam morteiros e metralhadoras na província de Hama, acompanhados por uma constante presença aérea.

"Comparado com os dias anteriores isto não foi nada, mas consideramos que eles violaram a trégua", explicou à Reuters uma fonte deste grupo.

Outro aliado do Exército Livre Sírio, o Alwiyat Seif al Sham, garantiu que dois dos seus homens tinham sido mortos e quatro feridos num ataque levado a cabo pelas forças de Bashar al-Assad numa zona rural a oeste de Damasco.

Estes episódios de violência contrastavam com fotografias divulgadas por agências internacionais com grupos de sírios a visitarem ontem museus da capital.

Curdos também morreram

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), por seu turno, adiantou que os militares do regime haviam largado bombas-barril em Najiya, uma cidade na província de Idlib controlada pela Frente al-Nusra. Fontes rebeldes referiram que este grupo terrorista saiu ontem de zonas residenciais em várias cidades desta região para evitar serem acusados pelos locais da autoria das baixas civis causadas por ataques russos.

Uma fonte militar do governo negou que o exército estava a violar o cessar-fogo. Já os media estatais noticiaram ataques de rockets perto de Damasco e várias ofensivas mortais levadas a cabo pelo Estado Islâmico.

Relatos semelhantes foram feitos pelas milícias sírias curdas, que acusaram os jihadistas do Estado Islâmico de atacarem ontem, com poucas horas de intervalo, Tel Abyad e Suluk, cidades próximas da fronteira com a Turquia. A coligação internacional liderada pelos Estados Unidos respondeu com vários ataques aéreos.

De acordo com o OSDH, os aviões da coligação efetuaram dez bombardeamentos para tentar repelir os ataques, tendo resultado na morte de pelo menos 45 combatentes do Estado Islâmico e 20 militantes curdos. Fontes dos serviços de segurança da Turquia, explicaram que o ataque foi levado a cabo em duas frentes e que o som dos disparos e das explosões, audível em território turco, se prolongou por várias horas.

Na sexta-feira, os Estados Unidos e os seus aliados tinham levado a cabo oito ataques aéreos na Síria contra alvos do Estado Islâmico.

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