Transplante de fígado de Abidal investigado. Jornal denuncia compra no mercado negro

Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona que está detido por suspeitas de branqueamento de capitais e pertença a organização criminosa, terá comprado o fígado de forma ilegal, diz o jornal El Confidencial. Situação foi desmentida por todos os envolvidos

A Organização Nacional de Transplantes (ONT) de Espanha abriu uma investigação ao transplante de fígado a que foi sujeito o ex-futebolista francês Éric Abidal em 2012, quando jogava no Barcelona. A informação é avançada em Espanha por vários órgãos de comunicação, na sequência da notícia desta quarta-feira do El Confidencial, que dá conta que Sandro Rosell, ex-presidente do Barça, terá comprado um fígado para Abidal no mercado negro. Todos os alegados envolvidos, incluindo a Fundação Éric Abidal, já desmentiram a situação.

O mesmo jornal revela que a Polícia Nacional e a Guardia Civil intercetaram pelo menos quatro chamadas telefónicas de Rosell em que foi dito explicitamente que foi comprado um fígado de forma "ilegal".

A história oficial, como confirmam também as alegadas chamadas reveladas pelo El Confidencial, é que o dador, vivo, foi um primo de Abidal chamado Gerard.

Rosell foi alegadamente apanhado em escutas onde confirma a compra de um fígado "ilegal"

As escutas a Rosell foram autorizadas no contexto da investigação ao antigo presidente do Barcelona, que está detido por suspeitas de branqueamento de capitais e de pertença a organização criminosa.

As mesmas escutas fizeram com que as autoridades espanholas contactassem o Hospital Clínic de Barcelona, onde foi feito o transplante. O El Confidencial explica ainda que, devido à hipótese de ter acontecido um crime de tráfico de órgãos, o caso foi remetido para um tribunal de Barcelona.

No entanto, a ausência de colaboração por parte das autoridades franceses levou a que o processo, com consentimento do Ministério Público espanhol, fosse arquivado.

"Repercussão mediática e gravidade das acusações" vale abertura de investigação

A Organização Nacional de Transplantes espanhola anunciou entretanto que ia investigar o caso - tal como vai acontecer no Hospital Clínic - devido "à gravidade das ações denunciadas, a gravidade das acusações e a repercussão mediática". Além da ONT e a unidade hospitalar onde aconteceu o transplante, também a Organização Catalã de Transplantes vai colaborar nesta investigação.

A diretora da ONT, Beatriz Domínguez-Gil, explicou que a organização teve conhecimento da situação esta manhã, aquando do surgimento da notícia do El Confidencial, e que de imediato foi pedida informação à unidade hospitalar e à já referida organização catalã, escreve o El Mundo.

Assim, a informação recolhida pelo organismo espanhol indica que "tudo foi feito de acordo com a legislação vigente e com os protocolos clínicos habituais". Beatriz Domínguez-Gil afirmou também que de acordo com dados recolhidos pela ONT, o "caso está arquivado por falta de indícios de atividade criminosa".

Situação desmentida por todos

Todos os alegados envolvidos no caso noticiado esta quarta-feira - que está a marcar a agenda noticiosa e mediática em Espanha - desmentem que tenha sido cometida alguma ilegalidade.

Além do Departamento de Saúde da Catalunha, que indica que foram seguidos "escrupulosamente os protocolos clínicos e a legislação vigente em matéria de transplantes", o Barcelona, a Fundação Abidal e o advogado de Sandro Rosell negam também qualquer ilegalidade em todo o processo.

Todos os envolvidos referem que tudo foi feito consoante a legislação e os protocolos vigentes

A Fundação Abidal "desmente categoricamente", em nome da fundação e do ex-futebolista, as informações "difundidas em meios de comunicação sobre irregularidades no tratamento [de Abidal]". "Todo o processo relativo ao transplante foi adequado a todos os procedimentos e protocolos estabelecidos. A Fundação Éric Abidal lamenta que se ponha em dúvida a honra de todos os implicados neste processo, a quem Éric Abidal confessa uma grande admiração e a quem agradece bastante, especialmente ao dador, o seu primo Gerard", lê-se.

Pau Molins, advogado de Sandro Rosell, comentou a situação na rádio RAC-1, referiu que a defesa do ex-presidente do Barcelona "não sabe de nada", mostrando-se ainda indignado com a notícia. "Chateia-me que esta notícia saia um ano depois e que a defesa do senhor Rosell nada saiba. Se tudo isto é verdade, a investigação teria sido resolvida num mês, não agora, um ano depois", referiu também Pau Molins.

O Barcelona, onde Abidal é agora Secretário Técnico, "nega qualquer irregularidade". "A história omite um facto importante, que é que este caso foi encerrado por um tribunal de Barcelona a 18 de maio. Esta omissão feriu a reputação de Abidal e de todas as organizações envolvidas no processo do transplante, do Barcelona e de Sandro Rosell", diz ainda o comunicado do clube catalão.

O clube diz-se ainda "triste pela falta de rigor e pela disseminação de informações sobre um tema tão sensível". "Reafirmamos o nosso compromisso para com Éric Abidal e a sua fundação para ajudar a melhorar as vidas de crianças e jovens afetados por tratamentos médicos semelhantes", finaliza a nota do Barcelona.

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