Theresa sem medo de dizer a Donald se algo for inaceitável

Líder britânica irá encontrar-se com presidente dos EUA na próxima sexta

"A minha Maggie." É assim, conta o Daily Telegraph, que Donald Trump se refere a Theresa May, a primeira-ministra britânica. A designação remete para os tempos em que Ronald Reagan manteve uma relação de cumplicidade com Margaret Thatcher. Nos tempos mais recentes, terá sido esse o "casal" que mais encaixou no abraço político do outro. Mas também Tony Blair e George Bush filho tiveram uma química particular, unidos pela guerra do Iraque. Vem de longe a "relação especial" que une Reino Unido e EUA. Também por isso May será a primeira líder estrangeira a encontrar-se com o presidente norte-americano. A reunião entre os amigos Theresa e Donald está marcada para a próxima sexta-feira, nos Estados Unidos.

May - tendo em contra o brexit e a necessidade de assinar novos acordos comerciais - quer jogar numa estratégia de aproximação à nova administração norte-americana. "Já disse que alguns dos comentários que Donald Trump fez sobre as mulheres são inaceitáveis. Quando me reunir com ele, a maior afirmação que posso fazer sobre o papel das mulheres é que estarei ali como uma mulher primeira-ministra. Sempre que haja algo que eu considere inaceitável, não terei receio de dizer isso mesmo", sublinhou em declarações à BBC.

Donald Trump já afirmou que o brexit era algo muito positivo, acrescentando que os dois países chegariam rapidamente a um acordo sobre a futura relação comercial.

Jeremy Corbyn, líder do Labour, aconselhou cuidado a Theresa May nas negociações. "No discurso de tomada de posse não houve nada que apontasse para uma relação especial. Antes pelo contrário. Ele apenas falou em "América primeiro"."

A NATO também fará parte da conversa entre Trump e May. Escreve o The Guardian que os dois líderes poderão fazer uma declaração conjunta, reafirmando o comprometimento dos seus países em gastar pelo menos 2% do PIB na Defesa e apelando aos outros membros para que façam o mesmo.

Em breve com Netanyahu

Depois do fim da relação difícil com Obama, Israel está em lua-de-mel com Trump. Muita coisa mudou na forma como a Casa Branca olha para o conflito israelo-árabe. Uma das últimas medidas do anterior presidente foi, através da abstenção dos EUA, permitir que o Conselho de Segurança da ONU aprovasse uma resolução a condenar a política de colonatos israelita. Em sentido contrário, Trump, depois de eleito, apressou-se a escolher para embaixador em Israel David Friedman, que se opõe à solução de dois Estados e apoia a expansão de colonatos.

"As regras de jogo mudaram com a chegada ao poder de Trump. Deixámos de ter as mãos amarradas como no tempo de Obama", afirmou o presidente da comissão de construção e planeamento da Câmara Municipal de Jerusalém. O município acaba de dar luz verde a quase 600 novas casas em três bairros da zona oriental da cidade. "É apenas o começo. Temos planos para a construção de 11 mil habitações", acrescentou Meir Turjeman.

Ontem Trump dialogou por telefone com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e disse que a conversa foi "muito boa". Palestina, Síria, Irão e eventual transferência da embaixada norte--americana de Telavive para Jerusalém eram os temas previstos. Os dois líderes deverão encontrar-se nas próximas semanas.

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