Theresa May não vai às celebrações do Tratado de Roma

Media britânicos especulam que primeira-ministra vai esperar pela semana seguinte para notificar Bruxelas do desejo de sair da União Europeia

A primeira-ministra britânica, Theresa May, estará ausente das celebrações do 60.º aniversário do Tratado de Roma, no dia 25 de março na capital italiana, foi hoje confirmado oficialmente.

"Houve uma discussão entre nós e outros líderes europeus sobre a participação no evento e considerou-se que seria mais acertado os 27 celebrarem este aniversário como uma oportunidade para definir o futuro da UE sem o Reino Unido como membro, e todos concordaram", disse o porta-voz da chefe do governo.

O país não deverá fazer-se representar, mas a imprensa britânica tem especulado que Londres respeitará a ocasião e vai esperar pela semana seguinte para notificar Bruxelas do desejo de sair da União Europeia, cumprindo assim o calendário anunciado de o fazer até ao final de março.

Celebra-se a 25 de março a assinatura, em 1957, em Roma, dos Tratados fundadores da Comunidade Económica Europeia e da Comunidade da Energia Atómica pelos dirigentes de França, Alemanha Federal, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. A ratificação teve lugar nos meses seguintes e entrou em vigor a 01 de janeiro de 1958.

O governo britânico continua sem precisar a data exata da ativação do artigo 50º do Tratado de Lisboa, embora se saiba que a comunicação formal deverá ser feita por escrito ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

O segredo estende-se ao conteúdo e até ao formato da comunicação, se será uma carta entregue em mão por um representante britânico ou se será um correio eletrónico.

"Não vamos fazer comentários constantes sobre o que estamos a fazer. Há uma série de procedimentos a tomar em termos de notificação e incluem uma carta. O governo tem o direito de manter o controlo disto", defendeu o porta-voz.

Na terça-feira, Theresa May prometeu voltar à Câmara dos Comuns para dar conhecimento da ativação do artigo 50º, após a qual se discutirá o formato das negociações entre as duas partes.

O governo britânico também prefere manter em sigilo a composição da equipa de negociação e as condições que vai colocar em cima da mesa.

As únicas duas premissas conhecidas são que Londres quer um acordo de reciprocidade em termos de direitos de residência dos cidadãos europeus no Reino Unido e dos britânicos a residir nos restantes 27 Estados-membros da UE e que o Reino Unido não pretende manter-se no mercado único europeu.

Downing Street acredita que é possível negociar as condições da saída da União Europeia em paralelo com a definição do modelo da futura relação entre o Reino Unido e os restantes Estados-membros, argumentando que o artigo 50º assim o indica.

O governo britânico promete sentar-se é mesa das negociações com um "espírito de boa vontade, com a intenção de conseguir o melhor acordo possível não só para o Reino Unido, mas também para os restantes Estados membros".

Segundo o porta-voz de Theresa May, "queremos que a UE tenha sucesso, que prospere, progrida e cresça porque isso é tanto do nosso interesse enquanto futuro parceiro comercial da UE como é do deles".

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