Tesla tentou calar vítima de discriminação racial com dinheiro

Um email, agora divulgado, revela que a empresa de Elon Musk terá tentado pagar o silêncio de um funcionário, vítima de discriminação racial

A Tesla terá tentado comprar o silêncio de um funcionário que alega ser vítima de discriminação racial. Um email da empresa, a que o The Guardian teve acesso, mostra a intenção da companhia de Elon Musk em fazer um acordo com DeWitt Lambert, um trabalhador afro-americano.

"Estamos dispostos a pagar ao Sr. Lambert, mas apenas se quisermos resolver este assunto antes da atenção da comunicação social", lê-se na mensagem, citada pelo jornal britânico. De acordo com a publicação, a mensagem foi escrita no ano passado por Todd A. Maron, conselheiro geral da Tesla. "Se houver atenção da comunicação social, não há acordo", lê-se no email dirigido aos advogados do trabalhador.

DeWitt Lambert começou a trabalhar na fábrica da Tesla, na Califórnia, em 2015, e alega ter sido algo de comentários racistas e sexuais no local de trabalho. Entrou com uma ação judicial contra a empresa no ano passado. A fabricante de carros elétricos iniciou uma investigação interna e negou as acusações. Chegou a lançar suspeitas sobre o caráter de Lambert. O trabalhador foi suspenso, mas continuou a receber o ordenado.

De acordo o The Guardian, um porta-voz da Tesla não negou o email, mas explicou que Todd A. Maron estava a responder a Larry Organ, um dos advogados de Lambert, que estava a pedir uma enorme quantidade de dinheiro e a ameaçar tornar o caso público

Ao jornal britânico, Organ conta que estava a ser discutido um valor inferior a um milhão de dólares (cerca de 800 mil euros). "Parece-me que eles estipulam um valor muito baixo para roubarem a dignidade de um homem", refere o advogado. "Tesla é uma grande empresa e eles pensam que podem tratar mal as pessoas", disse Larry Organ, citado pelo The Guardian. "E calar as pessoas com dinheiro", acrescentou Navruz Avloni, outro advogado de Lambert.

Empresa envolta em polémicas

Mas este não é o único caso polémico a envolver a empresa de Elon Musk.

Além de DeWitt Lambert, também AJ Vandermeyden, engenheira da Tesla, processou a empresa. A funcionária revelou ao The Guardian que processou a fabricante de carros elétricos por ter sido vítima de assédio sexual e de desigualdade no local de trabalho.

As polémicas envolvem também os modelos que a empresa fabrica.

No mês passado, o carro da Tesla, o Model X, incendiou-se ao bater num separador de betão. O condutor, Walter Huang, morreu e as autoridades norte-americanas estão a investigar o caso. Sabe-se que na altura do acidente estava ligado o Autopilot. Um sistema de condução semiautónoma da Tesla que, passados alguns segundos, avisa o condutor que tem de voltar a assumir a direção.

Num comunicado, a empresa revela que "o condutor recebeu vários sinais acústicos e visuais para voltar a assumir a direção, sem que tal tenha acontecido até seis segundos antes do embate". A família da vítima considera a hipótese de processar a empresa.

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