Terceiro suicida do Bataclan era francês e esteve na Síria

Pai de Foued Mohamed-Aggad diz ter sido apanhado de surpresa e garante que se soubesse do plano do filho tê-lo-ia matado

"Ele mentiu-nos, fez-nos crer que ia de férias quando na verdade foi para a Síria há dois anos", contou ontem Saïd Mohamed-Aggad, o pai do terceiro terrorista suicida do Bataclan e só agora identificado. "Desde 2013 que não durmo", acrescentou. Foued, de 23 anos, era natural de Estrasburgo e as autoridades francesas confirmam que viajou para a Síria em finais de 2013 com um grupo de outros jovens, tendo regressado em março do ano seguinte.

Que ser humano faz o que ele fez? Se soubesse que ele um dia iria fazer o que fez, tê-lo-ia matado antes

Falando à porta de sua casa em Bischheim, um subúrbio da cidade francesa de Estrasburgo, Saïd Mohamed-Aggad garantiu só ontem ter sabido que o seu filho Foued era um dos três atiradores que mataram 90 pessoas a 13 de novembro no Bataclan. Os outros dois - Omar Ismaïl Mostefai, de 29 anos, e Samy Amimour, antigo motorista de autocarros de 28 anos - também eram franceses e tinham estado na Síria. "É claro que estou surpreendido", afirmou, avançando ao jornalistas o que teria feito se soubesse os planos do filho: "Que ser humano faz o que ele fez? Se soubesse que ele um dia iria fazer o que fez, tê-lo-ia matado antes."

As autoridades francesas identificaram Foued Mohamed-Aggad como o terceiro suicida do Bataclan depois de serem alertadas pela mãe do jovem, que recebeu um sms da Síria a informá-la da morte do filho, e depois comparando o ADN de ambos. "O sms dizia "ele morreu a 13 de novembro com os seus irmãos"", explicou ontem Françoise Cotta, a advogada da família, adiantando que a mensagem foi enviada há dez dias. "Ela foi imediatamente atingida pela possibilidade horrível de que ele podia ter sido um dos atacantes suicidas do Bataclan", acrescentou.

Uma criança calma

Foued Mohamed-Aggad viajou para a Síria em dezembro de 2013 com o irmão Karim, de 25 anos, e mais oito amigos, todos da zona de Estrasburgo. "O seu irmão quis voltar [a França] porque não apoiava a situação no país [Síria]. Já Foued disse à mãe que estava muito feliz. Tinha-se casado e ia ter um filho", contou a advogada da família. "Para ele, não era uma questão de regressar a França. Ele dizia querer morrer como suicida no Iraque", prosseguiu Françoise Cotta. Karim foi preso em França depois do regresso e continua encarcerado.

Já não era ele, era uma outra pessoa com quem falei. Alguém que tinha sofrido uma lavagem cerebral

A última vez que a família teve notícias de Foued "foi há quatro ou cinco meses, via Skype. Como de costume, ele não disse nada sobre o seu dia-a-dia, onde estava ou o que andava a fazer. Falava sobretudo da jihad...", recordou o pai do terrorista. "Já não era ele, era uma outra pessoa com quem falei. Alguém que tinha sofrido uma lavagem cerebral. Era inútil falar com ele."

"Ele era uma criança calma. Nasceu aqui, cresceu aqui em França, estudou em França", prosseguiu Saïd Mohamed-Aggad, recordando que só após a primavera de 2014, que coincide com o seu alegado regresso clandestino a França, é que começou a deixar crescer a barba. Segundo as autoridades francesas, Foued estava identificado como radical e sinalizado na Interpol.

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