Terceiro mandato para Ouattara? Presidente da Costa do Marfim é candidato

Oposição considera candidatura ilegal, mas presidente alega que reforma constitucional de 2016 repôs a zero o número de mandatos e pode assim concorrer. Inicialmente, tinha previsto apoiar o seu primeiro-ministro para o cargo, mas este morreu de repente em julho.

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, foi este sábado designado oficialmente como candidato às eleições presidenciais do próximo dia 31 de outubro pelo partido no poder, concorrendo a um polémico terceiro mandato.

"Por dever cívico, decidi responder favoravelmente ao apelo da União dos Houphouëtistas para a Democracia e a Paz (RHDP); deram-me tanto, que não posso negar o seu pedido agora, e nada me impede de ser candidato", disse o chefe de Estado perante uma multidão que se juntou no Estádio Félix-Houphouët-Boigny, na capital da Costa do Marfim.

No discurso, Ouattara dirigiu-se diretamente à oposição, que considera a sua candidatura ilegal, e disse, em resposta aos violentos protestos das últimas semanas: "Que os opositores parem com a violência, que não traz nada de bom à vida dos costa-marfinenses, pessoas que gostam de viver em paz".

A oficialização da candidatura de Ouattara surge poucos dias depois de autoridades terem anunciado a "suspensão" de manifestações públicas no país até 15 de setembro, em vésperas de uma marcha de mulheres da oposição contra um terceiro mandato do Presidente.

"O conselho (de ministros) decidiu suspender as manifestações na via pública para as permitir apenas em áreas fechadas", segundo um comunicado divulgado na quinta-feira.

"A medida tomada no âmbito do atual estado de emergência vigora até 15 de setembro (...) e evita as consequências como o balanço humano e material de manifestações anteriores e os riscos de abertura de bolsas de conflito comunitário", adianta o comunicado.

O anúncio surgiu quase uma semana após violentas manifestações ligadas ao anúncio da controversa candidatura do presidente, Alassane Ouattara, a um terceiro mandato, que se transformaram em violência durante três dias, deixando "seis mortos, cerca de 100 feridos, 1500 deslocados internos, 69 pessoas presas e muitos danos materiais", de acordo com um relatório oficial divulgado na quarta-feira.

Alassane Ouattara, 78 anos, eleito em 2010 e reeleito em 2015, tinha anunciado, pela primeira vez em março, que já não se candidataria, e iria apoiar o seu primeiro-ministro, Amadou Gon Coulibaly.

Mas, depois de Coulibaly morrer de ataque cardíaco a 8 de julho, Ouattara anunciou a 6 de agosto que iria, afinal, concorrer a um terceiro mandato.

A Constituição permite dois mandatos presidenciais, mas a oposição e o Governo discordam sobre a interpretação da reforma adotada em 2016: os apoiantes de Ouattara dizem que o número de mandatos foi reposto a zero nesse ano, enquanto os seus opositores consideram inconstitucional uma terceira candidatura.

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