Tentaram entrar na morgue onde está Kim Jong-nam

Um diplomata norte-coreano destacado em Kuala Lumpur e um funcionário das linhas aéreas de Pyongyang vão ser interrogados

As autoridades malaias confirmaram que houve pelo menos uma tentativa para entrar no edifício onde está o corpo de Kim Jong-nam, meio irmão do líder da Coreia do Norte, assassinado no dia 13 no aeroporto de Kuala Lumpur por três pessoas, duas mulheres e um homem, que lhe lançaram um liquido alegadamente venenoso.

"Sabemos que houve tentativas para entrar na morgue. Tivemos de tomar precauções. Não vamos permitir que ninguém interfira com o local", afirmou Khalid Abu Bakar, chefe da polícia malaia citado pelo The Guardian. Ontem, havia notícias de que guardas malaios armados estavam a proteger o cadáver. Uma coluna de quatro veículos entrou no hospital durante a madrugada, com cerca de 30 membros das forças especiais malaias que garantiram a segurança na área antes de deixarem o local a meio da manhã.

As autoridades anunciaram também que pretendem questionar um diplomata norte-coreano pelo seu alegado envolvimento no assassínio de Kim Jong-nam. A polícia suspeita de cinco norte-coreanos e procura outros três para serem questionados. Entre eles está o segundo secretário da embaixada de Pyongyang em Kuala Lumpur e um funcionário norte-coreano de uma transportadora aérea, disse Khalid Abu Bakar aos jornalistas.

"Escrevemos ao embaixador para que permita que entrevistemos os dois. Esperamos que a embaixada coreana coopere connosco e permita que os entrevistemos rapidamente. Se não, vamos obrigá-los a vir até nós", afirmou.

Khalid indicou que a polícia acredita que cinco norte-coreanos estiveram "altamente envolvidos" na morte de Kim - quatro homens fugiram do país no dia do crime enquanto um permanece detido na Malásia. O chefe da polícia disse que as duas mulheres também detidas sabiam que estavam a participar num ataque com veneno.

"Sim, claro que sabiam", afirmou Khalid quando questionado por jornalistas sobre se as mulheres tinham conhecimento que transportavam uma substância tóxica quando abordaram Kim Jong-nam.

"Viram o vídeo, certo? A mulher estava a afastar-se com as mãos na direção da casa de banho. Estava bem consciente de que era tóxico e de que precisava de lavar as mãos", garantiu.

Khalid disse que a vietnamita Doan Thi Huong, de 28 anos, e a indonésia Siti Aishah, de 25, tinham sido treinadas para esfregar o rosto do homem, praticando em Kuala Lumpur o exercício que viriam a aplicar no aeroporto.

A polícia indonésia tinha dito anteriormente que a suspeita tinha sido enganada e acreditava que participava num programa televisivo de 'apanhados'.

O corpo de Kim Jong-nam - assassinado no dia 13 no aeroporto de Kuala Lumpur - tem estado no centro de um conflito diplomático entre Pyongyang e a Malásia, depois de a Coreia do Norte insistir que seja devolvido e de se ter oposto à autópsia.

No entanto, a Malásia rejeitou o pedido, dizendo que os restos mortais devem ficar na morgue até um membro da família os ir identificar com uma amostra de ADN.

Na segunda-feira à noite surgiram notícias que davam conta de que o filho de Kim Jong-nam, Kim Han-Sol, chegaria a Kuala Lumpur, vindo de Macau, mas a agência AFP não conseguiu confirmar a sua presença na Malásia.

O enviado de Pyongyang a Kuala Lumpur recusou, na segunda-feira, o pedido de uma amostra de ADN, considerando-o "absurdo" e disse que a embaixada tinha o direito de reclamar o corpo de um detentor de um passaporte diplomático.

O embaixador Kang Chol lançou também críticas à investigação da morte, dizendo que é politicamente motivada e que a Malásia conspirou com a Coreia do Sul para culpar o Norte.

O ministro dos Negócios Estrangeiros malaio, Anifah Aman, disse sentir-se "profundamente insultado" pelas acusações, baseadas em "delírios, mentiras e meias verdades".

A Malásia tinha anteriormente convocado o seu embaixador em Pyongyang e chamado Kang para discutir o conflito no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Kim Jong-nam morreu após ter sido aparentemente envenenado no aeroporto de Kuala Lumpur.

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