Michel Temer deve ser absolvido com um resultado de 4-3

Maioria dos sete juízes do Tribunal Eleitoral indica que vai dar fôlego ao presidente da República. Mas decisão gera controvérsia

O julgamento de Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral deve decidir-se esta sexta-feira pela absolvição do presidente da República. Os votos dos sete juízes só vão ser lidos ao longo desta tarde mas a julgar pelos discursos preliminares de cada um, quatro, a maioria portanto, devem votar a favor de Temer.

Isso significa que Temer será absolvido da acusação de crime de abuso eleitoral na campanha de 2014, quando concorreu como vice-presidente de Dilma Rousseff, também absolvida, e ganha fôlego no palácio do Planalto.

Um fôlego que, no entanto, pode ser em vão: a seguir, o presidente terá de enfrentar o seu julgamento no Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Operação Lava-Jato, por corrupção, organização criminosa e obstrução da justiça, na sequência da gravação de uma conversa com o empresário também investigado Joesley Batista, no porão da sua residência oficial altas horas da noite.

O mesmo Joesley Batista que assombra Temer noutro episódio: foi descoberto que em 2011 o presidente, quando ainda era vice de Dilma, usou o avião particular do empresário para realizar viagem de Comandatuba, na Bahia, para São Paulo. Temer começou por negar ter viajado para depois confirmar o facto, alegando, no entanto, que desconhecia o dono da aeronave. "Mas eu até dei um buquê de flores à Dona Marcela, em nome da dona Flora [mãe de Joesley]", disse o piloto do avião José Cerqueira ao jornal O Globo.

O julgamento que deve confirmar a absolvição de Temer levantou, entretanto, controvérsias. Entre os juízes que já deram indicação de votar ao lado do presidente, estão Gilmar Mendes, juiz que é amigo pessoal de Temer, costuma reunir-se com ele na residência oficial e até já apanhou boleia no avião presidencial para participar em Lisboa numa conferência. Outro juiz, Napoleão Maia, ficou grato a Temer pela nomeação de um sobrinho e de um sócio de um filho para cargos estatais recentemente. E Admar Gonzaga e Tarcísio Carvalho foram nomeados pelo presidente em março e abril, respetivamente, para suprir a falta de dois magistrados que terminaram os seus mandatos.

Os quatro votaram a favor de retirar da ação a delação premiada dos executivos da empresa Odebrecht, demolidora para a defesa de Temer, sendo que Gilmar Mendes, em 2015, quando ainda era Dilma a presidente, afirmara que essa delação, assim como outras, devia ser incluída.

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