Teerão proíbe peregrinações a Meca e a Medina

Irão congelou importações da Arábia Saudita. E acusou a força aérea deste país de ter bombardeado a sua embaixada no Iémen.

O regime de Teerão anunciou ontem a interdição a todos os seus cidadãos de se deslocarem em peregrinação aos lugares santos do islão situados na Arábia Saudita, Meca e Medina. Em paralelo, anunciou ainda a proibição de "todos os produtos provenientes" daquele país. Decisões divulgadas no mesmo dia em que o governo iraniano acusou Riade de ter bombardeado a sua embaixada na capital do Iémen, Sana.

O Iémen é atualmente palco de um conflito que opõe as milícias houthi, xiitas apoiados por Teerão, e as forças do presidente Abed Rabbo Mansour Hadi, que tem o apoio de Riade e das outras monarquias do Golfo.

A decisão de Teerão em interditar as deslocações a Meca e Medina surge como uma medida drástica, que testemunha o agravar do diferendo entre o Irão e a Arábia Saudita desde que foi executado, neste último país, o clérigo xiita Nimr al-Nimr no passado fim de semana. Quando Riade anunciou o corte das relações diplomáticas com Teerão, a que se seguiu a suspensão das ligações aéreas e das trocas comerciais, a monarquia saudita deixou claro que mantinha abertas as fronteiras para os fiéis iranianos em peregrinação a Meca e Medina.

A peregrinação a Meca é uma obrigação de todos os muçulmanos, com condições financeiras e saúde para o fazerem, mas o regime iraniano afirma que situações excecionais exigem respostas excecionais. Além do conflito diplomático, em causa está também a segurança física das pessoas. Riade, ao anunciar o corte de relações diplomáticas com Teerão, proibiu desde logo as deslocações dos seus nacionais ao Irão.

A suspensão das viagens dos iranianos já sucedeu uma vez, em 1987, quando morreram cerca de 400 peregrinos, a grande maioria daquela nacionalidade, em confrontos com as forças de segurança sauditas. Na época, decorria ainda a guerra irano-iraquiana, em que o regime de Bagdad tinha o apoio dos sauditas, e estava no auge a conflitualidade entre Teerão e Washington. Na origem dos confrontos em Meca esteve, precisamente, um manifestação antiamericana.

A interdição declarada em 1987 esteve em vigor por três anos e as relações diplomáticas foram suspensas até 1991.

Em 2015, Teerão dirigiu duras críticas às autoridades de Riade pela forma como lidaram com um movimento de pânico durante a peregrinação em que acabaram por perder a vida cerca de duas mil pessoas, das quais 465 iranianos. E desde abril passado estavam interditas as viagens de iranianos para as chamadas "pequenas peregrinações" (possíveis em qualquer época do ano) depois de elementos das forças de segurança sauditas terem alegadamente molestado, em matéria sexual, dois jovens iranianos.

Embaixada atacada?

Num desenvolvimento associado com a escalada das tensões entre sauditas e iranianos, Teerão acusou a coligação, liderada pelo governo de Riade, de ter atacado posições das milícias houthi e de ter atingido o edifício onde se situa a sua embaixada na capital iemenita.

As operações militares em Sana foram retomadas no fim de semana passado, após uma trégua de três semanas e coincidiram com a escalada do conflito entre Riade e Teerão.

Ao início do dia, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano declarara que aviões de combate sauditas tinham atacado a representação diplomática do seu país, provocando alguns feridos entre os funcionários da embaixada. O edifício está situado num bairro da capital iemenita onde estão muitas outras missões diplomáticas. No passado, a coligação liderada pela Arábia Saudita já realizara ali alguns bombardeamentos.

Apesar das declarações daquele porta-voz, testemunhos no local, citadas pelas agências, reconheciam a existência de um ataque aéreo, que teria visado alvos a menos de um quilómetro do edifício, mas sem ter afetado a embaixada. Segundo as testemunha, as janelas do edifício estariam intactas.

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