Tão perto mas tão longe. Amores franco-espanhóis dos 2 lados de uma fronteira fechada

Em 23 de maio, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou a reabertura das fronteiras a 1 de julho para os turistas. A França adotou a mesma medida. Até lá os casais em que cada um dos elementos vive num dos países continuam separados.

"Um dia a menos, un jour de moins". Desde 17 de março, Philippe Casenave e Juan Antonio González terminam assim todas as suas conversas. Separados pela fronteira, este casal franco-espanhol espera apenas uma coisa: poder circular livremente de novo entre França e Espanha.

"Temos a sensação de que nos enrolam com declarações. Somos totalmente espectadores de decisões políticas que afetam muito nossas vidas", afirma Philippe Casenave, de 60 anos, a partir do computador na sua casa de Bayona, cidade francesa muito próxima da fronteira com Espanha.

A 155 km de lá, em Vitoria-Gasteiz, no País Basco espanhol, o seu companheiro há seis anos, Juan Antonio González, diz ter vivido dois meses e meio "difíceis", num contexto de restrições "muito stressantes quando, além disso, você não está com a pessoa que ama".

Em 23 de maio, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou a reabertura das fronteiras a 1 de julho para os turistas. A França adotou a mesma medida. "Terão que nos explicar para que serve este outro mês de separação entre nós no combate à pandemia", critica Philippe Casenave.

Na cidade vizinha de Boucau, Julien Roquebert, de 47 anos, sente a mesma raiva. "Só se fala de desconfinamento, de liberdade, mas eu não me sinto nada livre!". O seu companheiro, Héctor, vive em Estella, a poucos km de Pamplona, em Navarra. O ritual é o mesmo há dois meses e meio: "SMS pela manhã ao acordar, videochamada todas as noites".

Para Julien, as autoridades só pensam na parte econômica e turística para abordar o problema das fronteiras.

"Emenda dos apaixonados"

Até o momento, apenas cidadãos espanhóis, residentes, "casos de força maior" e trabalhadores transfronteiriços estão autorizados a cruzar a fronteira. Através das redes sociais e de um grupo no Facebook, várias centenas de casais transfronteiriços fizeram uma parceria para tentar mudar a situação.

Dessa mobilização surgiu uma "emenda dos apaixonados", apresentada em 8 de maio pela deputada Mireille Clapot, do La Republique em Marche, o partido do presidente Emmanuel Macron. No entanto, o ministro da Saúde, Olivier Véran, rejeitou-a.

"Riram na Assembleia Nacional dizendo 'obrigado por este momento de ternura'", lembra Philippe Casenave. "Que grande gesto de desprezo!", lamenta.

Todos têm em mente a data de 15 de junho, mencionada pelos países membros do espaço Schengen sobre o assunto das fronteiras. "A Espanha está tão perto, mas tão longe neste momento", suspira Philippe.

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