A empreendedora que "vendeu" quase cinco milhões de dados genéticos

A 23andMe era um exemplo entre empresas da revolução tecnológica. Um milhão dos que enviaram uma amostra de ADN não gostaram que os dados fossem partilhados com o gigante farmacêutico GlaxoSmithKline.

Chama-se 23andMe e era um símbolo do empreendedorismo jovem californiano. Era... pois todos aqueles que acreditaram na pequena empresa fundada por Anne Wojcicki em 2006 e lhe entregaram amostras do seu ADN para fazer testes genéticos, receberam há dias uma circular a anunciar que a pequena firma se unira numa parceria ao gigante farmacêutico GlaxoSmithKline.

A contrapartida foi de 300 milhões de dólares para uma parceria durante quatro anos, que tem a particularidade de se beneficiar da maioria dos dados fornecidos por particulares - 80% dos cinco milhões de clientes autorizaram - que abraçaram um projeto originalmente voltado para a descoberta das raízes familiares.

A intenção de Anne Wojcicki era possibilitar a qualquer cidadão do mundo conhecer algo sobre a sua herança genética feita no quadro da revolução tecnológica que a 23andMe representava de forma algo idílica, mesmo que depois se tenha sabido que para o nascimento da empresa tenha existido uma contribuição de quatro milhões de dólares por parte do marido, Sergey Brin, um dos cofundadores da Google.

23 é o número de pares de cromossomas do ADN humano e a 23andMe permitia aos que enviaram as suas amostras evitar os abusos praticados por estabelecimentos hospitalares e clínicas sobre os dados dos interessados na sua herança genética, facilitando em troca uma bateria de testes que por 199 dólares mostravam ou não a predisposição para várias doenças, como o cancro na mama, obesidade. Problemas cardíacos, diabetes, propensão para artroses e dependências. O teste informava apenas os antecedentes genealógicos do cliente por 99 dólares.

Tudo era fácil, bastava enviar uma amostra de saliva para o laboratório de Anne Wojcicki, tanto assim que em 2008 o kit da 23andMe foi considerado pela revista Time como a invenção do ano e a publicidade tornou a empresa um sucesso mundial. A primeira crise neste império deu-se cinco anos mais tarde, devido ao próprio marido ter-se beneficiado dos serviços do laboratório da mulher. Brin descobriu então uma mutação genética que o predispunha à doença de Parkinson. O homem da Google foi um bom paciente, alterou os seus hábitos e passou a ter uma vida mais saudável. Exceto na vida emocional, pois apaixonou-se pela manequim que publicitava os Óculos Google, Amanda Rosenberg.

O divórcio entre ambos deu-se em 2015 e agora, em 2018, Anne Wojcicki parece estar perante uma nova crise, pois o "casamento" celebrado com uma parte dos clientes que fizeram os testes de ADN e rechearam o banco de dados da 23andMe ao longo dos anos, não agrada a perto de um milhão de utentes desse serviço. Afinal, nem todos querem migrar para a GlaxoSmithKline e colaborar numa investigação dita tendo como objetivo encontrar novos medicamentos durante quatro anos mas que no fim do prazo do acordo os lucros serão divididos ao meio entre ambas as empresas.

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