Susana Díaz oficializa candidatura a líder do PSOE perante multidão

A candidata apelou a que as primárias do partido não se convertem numa corrida de acusações nem de "marketing".

A presidente da Junta (Governo Regional) da Andaluzia, Susana Díaz, apresentou hoje oficialmente em Madrid a sua candidatura à presidência do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), perante uma multidão de mais de 6 mil pessoas.

Díaz, que no ano passado travou uma guerra surda com o então secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, levando ao seu afastamento, disse hoje que se apresenta à corrida para liderar os socialistas espanhóis "para devolver a 'ilusión' [palavra espanhola que significa ao mesmo tempo esperança e vontade de desempenhar bem um trabalho]" e para que o partido "volte a ganhar".

Nas eleições legislativas espanholas de 2015 -- e na repetição das mesmas, em 2016 -- o anterior líder, Pedro Sánchez, obteve os piores resultados do PSOE desde a Transição democrática espanhola, com o menor número de deputados. Sobretudo, perdeu para o PP de Mariano Rajoy, que esteve no poder ao longo dos piores anos da crise económica europeia, com uma política de cortes salariais e ajudas aos bancos e numerosos casos de corrupção a envolver os "populares".

"Sozinha não sou capaz de o fazer, preciso de toda a ajuda do partido. Peço a vossa ajuda para que o PSOE volte a liderar um projeto que tome conta de Espanha, peco-vos que me acompanhem e que me ajudem", disse Díaz perante uma multidão estimada (pela sua equipa) em mais de 6 mil pessoas, que enchia o recinto do Centro de Congressos da Feira Internacional de Madrid (IFEMA).

A nova candidata a líder nacional do PSOE (já o é dos socialistas da Andaluzia, a maior e mais populosa região de Espanha e último grande reduto político do partido) apelou a que as primárias do partido não se convertem numa corrida de acusações nem de "marketing".

Díaz apresentou-se perante os militantes socialistas ao lado de três ex-líderes do PSOE: o histórico seu conterrâneo andaluz Felipe González, José Luís Rodríguez Zapatero e Alfredo Pérez Rubalcaba.

Também estiveram presentes muitos dos "barões" regionais mais importantes do PSOE, aqueles que lutaram contra a liderança de Pedro Sánchez, que quis fazer uma aliança com o Podemos, de Pablo Iglesias, e com nacionalistas catalães, com o objetivo de repetir em Espanha um governo "à portuguesa".

À chegada, Felipe González sublinhou que a tarefa de qualquer um dos candidatos à liderança do PSOE "será a de unir o partido". Ainda que não tenha dito especificamente que vai votar em Susana Díaz afirmou: "Estou aqui, não?".

Zapatero, por seu lado, disse que com Susana Díaz é possível que o PSOE "possa ganhar a Rajoy e ao PP".

"Já o fez na Andaluzia e estou convencido de que também o vai fazer em Espanha", sublinhou.

As primárias socialistas - nas quais poderão votar cerca de 190 mil militantes, do Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC) e das Juventudes Socialistas -- deverão realizar-se no final de maio, a 21 desse mês. Só no próximo sábado, o Comité Federal socialista vai anunciar o calendário definitivo.

Afastado da liderança no ano passado, Pedro Sánchez vai responder à demonstração de força de Susana Díaz em Madrid com um ato em Burjassot (Valência), onde espera reunir cerca de três mil militantes.

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