Susana Díaz diz a Sánchez que quer "ajudar" o PSOE

Comité federal socialista reúne-se hoje para discutir alianças de governo e decidir a data do congresso que pode eleger um novo líder

Foi um encontro de 50 minutos entre o secretário-geral socialista, Pedro Sánchez, e a sua principal opositora interna, a presidente da Junta da Andaluzia e dirigente do PSOE naquela região, Susana Díaz. A conversa foi "privada", com Díaz a dizer apenas no final que quer "ajudar e colaborar" para que o partido se mostre como um "instrumento útil". Hoje explicará o que quis dizer na reunião do comité federal do PSOE, em que em causa está a discussão sobre um eventual acordo com o Podemos para formar governo, mas também a convocação de um congresso para eleger um novo líder.

A reunião começa às 09.30 com um discurso de Sánchez, que depois de um mau resultado nas eleições de 20 de dezembro - o PSOE só elegeu 90 deputados - parece estar a conseguir manter-se à tona. Amanhã saberá se tem o apoio suficiente para adiar o congresso do partido para depois da resolução da situação com o governo espanhol (que poderá implicar a realização de novas eleições antes do verão) ou se terá de enfrentar uma disputa pela liderança ainda antes.

Uma coisa parece já certa: o partido manterá a posição tomada no comité federal de 28 de dezembro de não permitir um governo do PP, mas recusar também qualquer acordo com os nacionalistas. "Nós vamos falar com todos, mas o que não procuramos nem queremos é o apoio dos independentistas", disse o número dois do partido, César Luena. Há quem também defenda virar totalmente costas ao Podemos, que surpreendeu com as exigências do cargo de vice-primeiro-ministro para Pablo Iglesias.

Diálogo com o PP

Apesar das negativas do PSOE em dialogar com o PP, Mariano Rajoy mostrou-se confiante que isso acabará por acontecer: "Não se preocupem porque o momento chegará", afirmou ontem, insistindo em manter a sua candidatura porque o PP foi o mais votado. São cada vez mais as vozes que se erguem e que pedem que se afaste para facilitar um acordo de governo. A última foi do líder do Ciudadanos, Albert Rivera.

"Este é um partido sério que não está para brincadeiras. Toma as suas próprias decisões e ninguém nos vai dizer o que temos de fazer. A democracia supõe, antes de tudo, respeitar o que dizem os cidadãos. Não estamos para invenções, para pôr o quinto em primeiro, para trazer alguém de fora. O PP vai continuar a manter a sua independência. O que o PP decidir, o PP fará", disse Rajoy num evento em Valladolid.

O primeiro-ministro voltou a atribuir a perda de 3,7 milhões de votos nas eleições à corrupção - "os espanhóis castigaram-nos pelos nossos equívocos". Face ao último escândalo, que coloca a direção do PP de Valência no epicentro de uma suposta operação de branqueamento de capitais, o partido resolveu dissolver a direção regional e nomear uma gestora. O Ciudadanos indicou que, apesar do escândalo, não recusa dialogar com o PP, "por respeito aos eleitores". Mas repetiu a ideia de que Rajoy é a pessoa errada para ser o "campeão da luta contra a corrupção".

Consultas partidárias

Felipe VI recebeu ontem mais três partidos no Palácio da Zarzuela, como parte da segunda ronda de consultas para a nomeação de um candidato ao debate de investidura. O porta-voz da Democracia e Liberdade, Francesc Homs, disse ao monarca que neste momento a intenção é votar contra uma possível aliança entre Sánchez e o Podemos. Quanto ao PP "nem é preciso falar", escreveu no Twitter.

Já Alexandra Fernández, do En Marea (aliado galego do Podemos), disse que o rei lhe pareceu desta vez "mais preocupado" por causa da falta de avanços no processo. E aproveitou a conferência de imprensa para pedir ao líder do PSOE que seja "valente" no comité federal e defenda com força um "governo de mudança" com o Podemos.

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