Suicidou-se depois de falhar fuga disfarçado de mulher. Era a segunda vez que tentava fugir

Clauvino da Silva, traficante de 42 anos, terá cometido suicídio com um lençol na sua cela, três dias depois de ter sido apanhado a escapar da prisão vestido com as roupas da filha adolescente. Em 2013, já protagonizara fuga pelo esgoto.

Três dias depois de tentar uma fuga cinematográfica vestido de mulher da prisão Gabriel Ferreira Castilho, conhecido como Bangu 3, o traficante de drogas Clauvino da Silva, de 42 anos, foi encontrado morto nesta manhã na sua cela da cadeia de segurança máxima Laércio da Costa Pelegrino, a Bangu 1, por, supostamente, se ter suicidado, por enforcamento, com o auxílio de um lençol.

A cela é individual.

De acordo com nota da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP), o corpo de bombeiros vai agora tentar recolher provas do que se passou. Depois, será instaurado inquérito interno "para apurar os factos".

O caso de Clauvino, conhecido como Baixinho e Ronca, não seria notícia, e acabaria provavelmente perdido no meio das milhares de mortes violentas registadas em prisões do Brasil todos os anos, se não tivesse sido noticiada a sua ousada tentativa de fuga de 72 horas antes.

No último sábado, os guardas prisionais frustraram Baixinho a tentar sair de Bangu 3 disfarçado da própria filha adolescente, Ana Gabriele Leandro Silva, de 19 anos, que o acabara de visitar. Enquanto ela ficava na cela no seu lugar, o traficante vestiu-se com as suas roupas, incluindo um sutiã, uma peruca e óculos graduados. Mais: usou uma máscara de látex para aproximar o seu rosto do da filha. Na porta da unidade, ao solicitarem a carteira de entrada, Clauvino foi capturado. Os visitantes, quando entram na prisão, deixam o documento de identificação, que só é devolvido à saída.

Após a fuga mal sucedida, Baixinho, que pertencia ao Comando Vermelho, maior grupo criminoso do Rio de Janeiro, e cumpria pena de prisão acumulada de 73 anos e 10 meses, foi transferido para Bangu 1, considerada a mais segura da Cidade Maravilhosa, e seria alvo de processo administrativo e punição de aproximadamente 10 dias - para responder por "evasão mediante violência", uma pena mais grave, seria necessário que tivesse colocado em risco a vida de outrem, o que não sucedeu.

Ana Gabriele e sete outros visitantes de Bangu 3 naquele dia, entre os quais uma mulher grávida, são, entretanto, acusados do crime de facilitação de fuga.

Baixinho já tinha outra fuga no seu histórico: fora um dos 31 presos que escaparam, também no horário das visitas, pelos canos de esgoto do Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, em fevereiro de 2013, saindo num terreno baldio próximo à Avenida Brasil, noutro ponto do Rio. Daqueles 31, quatro foram apanhados logo na hora. Clauvino acabaria preso um mês após a fuga, em Angra dos Reis, ainda em território fluminense, quando tentava invadir a favela Morro da Fortaleza.

De acordo com a SEAP, apesar das tentativas recorrentes de fuga, Clauvino não dava problemas de indisciplina e era considerado um preso calmo. Nas ruas, no entanto, o traficante era definido pelas autoridades como "extremamente violento".

Após a Operação Asfixia, que apreendeu mais de 7300 telefones e regalias dos presos do Comando Vermelho, a organização criminosa necessitou de "um ato de desespero" e de "tentar uma forma inusitada de fuga", disse ainda a SEAP.

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