Submarino desaparecido: Famílias perdem esperança. Governo investiga a marinha

Nove dias depois do desaparecimento do ARA San Juan, buscas prosseguem. Mas com notícias de uma explosão e com oxigénio apenas para sete dias, esperança de encontrar sobreviventes nos 44 tripulantes é quase nula.

Choro, desespero e abraços. Foi este o cenário frente à base naval de Mar del Plata minutos antes de a marinha argentina anunciar que o submarino ARA San Juan sofrera uma explosão. "Acabam de nos dizer que o submarino explodiu. Como é que vou dizer ao meu filho que ficou sem pai?", questionou Jessica Gopar, cujo marido, o eletricista Fernando Santili, era um dos 44 membros da guarnição do navio. As autoridades argentinas não confirmam a morte dos tripulantes, mas nove dias depois do desaparecimento e tendo em conta que só tinham oxigénio para sete, a probabilidade de encontrar sobreviventes é quase nula. Sem notícias do San Juan, o governo exige explicações à marinha.

As buscas, essas continuavam ontem, com quatro mil pessoas, 14 navios e dez aviões na zona onde o submarino desapareceu - a 400 km da costa da Argentina - quando regressava de uma missão de vigilância em Ushuaia. Ontem, a Argentina aguardava a chegada de um Antonov, disponibilizado por Moscovo após uma conversa telefónica entre o presidente argentino, Mauricio Macri, e o homólogo russo, Vladimir Putin. Na Rússia, o San Juan traz às memórias o Kursk, o submarino a bordo do qual morreram 116 pessoas em 2000. O Antonov 124 deve aterrar no aeroporto de Comodoro Rivadavia e traz com ele um submersível teleguiado capaz de operar a mil metros de profundidade.

A zona de buscas foi bastante reduzida, concentrando-se numa área em que a profundidade vai de 200 a 350, no limite de uma falha que pode chegar aos 3000 metros. Abaixo de 600 metros, a estrutura do submarino não resistiria à pressão.

Depois de notícias no fim de semana de tentativas de contacto telefónico que se pensaram vir do San Juan, na quinta-feira veio a público que no dia 15 foi detetada uma explosão na área a partir da qual o submarino fez a última comunicação. Tratou-se de "um evento anormal, curto, violento, não de origem nuclear, correspondente a uma explosão", explicou o porta-voz da marinha argentina, o capitão Enrique Baldi. A explosão foi detetada pela Organização do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares (CTBTO), agência internacional sediada em Viena e que monitoriza uma rede de postos de escuta que registam explosões nucleares. "É terrível. Depois de uma explosão destas é difícil que haja sobreviventes", explicou à AFP um antigo comandante de submarinos.

O San Juan, um submarino de propulsão diesel e elétrica, de fabrico alemão, foi construído há 37 anos, tendo ido para manutenção em 2008 na Argentina. A bordo tem "500 toneladas de baterias de chumbo e ácido que libertam hidrogénio em caso de sobreaquecimento. E o hidrogénio explode em contacto com o oxigénio", disse aos media argentino Gustavo Mauvecin, diretor do Centro de Medicina Hiperbárica de Mar del Plata. Segundo o jornal La Nación, a explosão pode ter resultado de um "curto-circuito no bloco de 960 baterias que alimentam" o navio.

Encontrar culpados

Segundo a marinha argentina, o submarino comunicou um problema nas baterias antes do último contacto, uma avaria que não foi considerada suficientemente grave para iniciar um procedimento de emergência. Entretanto o ministro da Defesa, Oscar Aguada, abriu uma investigação à marinha e, segundo fontes citadas pelos media argentinos, o governo estará a pensar substituir as chefias quando for encontrado o navio. Alguns familiares dos tripulantes questionaram a utilização de um submarino antiquado - apontando o dedo a uma marinha que tem perdido recursos desde o fim da ditadura militar nos anos 80.

Após uma reunião com as chefias das Forças Armadas, o presidente Macri afirmou que "não nos vamos aventurar a encontrar culpados" enquanto não tivermos mais informações e pediu "respeito pela dor das famílias", anunciando que as buscas vão continuar. Oscar Moscariello, embaixador da Argentina em Lisboa, disse ao DN que "há dúvidas sobre o investimento e a reparação dos submarinos". Mas, explicou : "O tema não é de hoje. Foram 12 anos de mal trato às forças armadas" Quanto ao presidente, Moriello afirma: "Acho que a decisão de Macri de continuar a respeitar e apoiar as forças armadas, neste caso, é positiva".

Com SUSANA SALVADOR

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