Suásticas pintadas em cemitério judeu antes de protestos em França

Realizam-se esta terça-feira várias manifestações em solo francês contra o aumenta (74% em 2018) de ofensas antissemitas. Macron esteve no local e disse que é preciso "despertar consciências". "Agiremos, faremos leis e puniremos", garantiu

Oito dezenas de túmulos de um cemitério judeu em Quatzenheim, perto de Estrasburgo, foram vandalizados na madrugada desta terça-feira, com suásticas a serem desenhadas nas lápides. O ato de vandalismo aconteceu a poucas horas de começar um protesto a nível nacional, marcado para esta noite, contra o aumento de ataques antissemitas. As manifestações terão, na capital a francesa, a presença do primeiro-ministro Édouard Philippe.

O presidente Emmanuel Macron esteve esta terça-feira no cemitério que foi vandalizado e cumprirá um minuto de silêncio no Memorial do Holocausto em Paris. "É importante para mim estar aqui hoje com vocês", disse o líder francês em Quatzenheim, segundo o TheGuardian, perante responsáveis locais e líderes da comunidade judaica. "Agiremos, faremos leis e puniremos", acrescentou.

Macron, que estava igualmente acompanhado do ministro do Interior, Christophe Castaner, considerou ainda que se trata de "despertar as consciências" apelando à "reação popular" e "à força" que cada um tem. "Os que fizeram isto não são dignos da República, serão punidos", insistiu.

Os casos de antissemitismo aumentaram bastante em França, de acordo com dados oficiais, mas o último fim de semana aumentou a atenção em torno deste tipo de incidentes. Em Paris, o filósofo Alain Finkielkraut, filho de um judeu polaco que sobreviveu a Auschwitz, foi vítima de discurso de ódio durante os protestos dos coletes amarelos. E na última sexta-feira, dois adolescentes foram presos por dispararem com armas de ar comprimido sobre uma sinagoga no subúrbio parisiense de Sarcelles, casa de um largo número de judeus.

No início do mês, foi também reportado que foram pintadas suásticas em várias caixas de correio que tinham a fotografia de Simone Veil, antiga ministra da Saúde de França que morreu em 2017 e também uma sobrevivente do campo de concentração em Auschwitz.

França é o país com mais população judaica a seguir a Israel e os EUA, e em 2018, segundo números oficiais, as autoridades francesas registaram um aumento de 74% nas ofensas antissemitas reportadas, o que deixa antever a hipótese de o número ser maior.

A profanação do cemitério perto de Estrasburgo levou o ministro da Imigração israelita, Yoav Gallant, a apelar hoje aos judeus para imigrarem para o Estado hebreu.

"Condeno vigorosamente o antissemitismo em França e apelo aos judeus: voltem a casa, imigrem para Israel", disse Gallant no Twitter.

Com Lusa

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