Sonhando com o casamento gay em Taiwan

Vários casais anseiam pela hora de poderem legalizar a sua união. Mas há quem diga que vai subir ao altar ainda este ano

O casal do mesmo sexo de Taiwan Daphne Chiang e Kenny Jhuang vai casar-se até final do ano - mesmo se o governo não legalizar a sua união. O Tribunal Constitucional de Taiwan decidiu no passado dia 25 que as atuais leis sobre o casamento não respeitam o direito à igualdade e deu dois anos ao governo para alterar a lei de forma a permitir o casamento entre pessoas de mesmo sexo. Uma decisão que foi de encontro às expectativas dos grupos LGBT da ilha.

Este resultado é inédito na Ásia, onde dominam as atitudes sociais conservadoras, mas que acaba por ser indiferente para Daphe e Kenny, que já planeiam uma festa de casamento para dezembro, com mais de 100 convidados.

"Temos de viver a nossa vida", afirma Daphne, prometendo então não deixar uma decisão desfavorável mudar os seus planos. "Casar é sobre se as pessoas em teu redor, os teus amigos, sabem ou não".

A democrática Taiwan é conhecida por uma parada gay anual que exibe a vibração da sua comunidade lésbica, gay, bissexual e transexual. Uma comunidade que, antes da decisão do Constitucional, tinha grandes expectativas que este órgão apoiasse os seus longos anos de esforço para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo porque o Partido Progressista Democrático, que venceu as eleições do ano passado, apoia dos direitos gay.

"Se passar na quarta-feira, seremos os primeiros da fila na quinta-feira de manhã", afirmava, antes de ser conhecida a decisão, Chin Tsai, que quer ver reconhecida a sua relação de quatro anos para se poder juntar ao seu companheiro nos Estados Unidos.

O seu companheiro, um capitão de marinha mercante, vai mudar-se para Nova Iorque para o seu novo emprego, mas Tsai não pode ir como ele como seu marido, a menos que Taiwan considerar a sua união legal.

"Resolver as diferenças é um princípio, é preciso mais diálogo e compreensão", tweetou a presidente Tsai Ing-wen, cujo governo inclui o primeiro ministro transgénero da ilha, em fevereiro após um encontro com representantes dos dois lados da barricada sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O Constitucional promoveu uma audiência pública em março, após anos de recusa em analisar o assunto, devido às petições de um ativista dos direitos dos homossexuais e de um governo municipal que enfrenta solicitações crescentes para casamentos do mesmo sexo.

"Penso que eles têm a resposta nos seus corações", declarou na altura Victoria Hu, a advogada de um dos requerentes, referindo-se aos juízes. "Não podem tomar uma decisão no dia da audiência pública. Provavelmente quererão clarificar alguns pontos nas suas mentes".

Peritos legais dizem que os 15 juízes formam o grupo mais liberal de sempre deste tribunal, sendo que sete foram nomeados por Tsai, depois desta se tornar presidente. Um dos 15 pediu escusa do caso, pois é casado com uma deputada que apoia dos direitos gay. Cinco meses depois de Kenny se ajoelhar e pedir Daphne em casamento num desfile com milhares de casais lésbicos, gays, bissexuais e transgénero na maior avenida de Taipé, as duas, ambas na casa dos 30, estavam a provar roupas para o casamento. Estão a pensar num fato branco para Kenny, para combinar com um vestido de noiva branco sonhado por Daphne. "Assim que for aprovado teremos tudo, mais proteção", declara Daphne. "Mas antes disso, teremos de tirar o melhor partido do que temos".

Jornalista da Reuters

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