Mariano Rajoy: "Vou tentar formar um governo estável"

Líder do PSOE, Pedro Sánchez, reconhece que deve ser o partido mais votado a tentar governar.

"Foram leais e este partido continua a ser a primeira força em Espanha", declarou Mariano Rajoy, reagindo à vitória do PP nestas legislativas, aplaudido pelos militantes populares reunidos na sede do partido na Calle Genova, em Madrid. O primeiro-ministro espanhol prosseguiu: "Quem ganha as eleições é quem deve tentar formar governo. Amigas e amigos, vou tentar formar governo. Creio que Espanha precisa de um governo estável. Espanha precisa de um governo que tenha apoio parlamentar e possa responder às necessidades de todos os espanhóis. Amigas e amigos, obrigada pelo vosso trabalho e pela vossa lealdade".

Espanha precisa de um governo que tenha apoio parlamentar

Reagindo ao resultado das legislativas de hoje, o líder do PSOE, partido que pela primeira vez na história da democracia espanhola fica abaixo dos 100 deputados, declarou: "Tentaram que o PSOE desaparecesse, mas não conseguiram". No mapa eleitoral, as cores não enganam: o vermelho dos dos socialistas só impera na Andaluzia e, mesmo assim, não em todas as províncias. Pedro Sánchez afastou, para já, qualquer tentativa de formar uma coligação de derrotados para formar governo.

Tentaram que o PSOE desaparecesse, mas não conseguiram

"Corresponde à primeira força política tentar formar governo", disse Sánchez, sublinhando: "Fizemos história, fizemos presente e o futuro é nosso". Felicitando Mariano Rajoy, primeiro-ministro e líder do PP, o partido mais votado hoje, o dirigente socialista notou: "Hoje começa uma nova etapa política em Espanha, tem que se iniciar um novo processo de diálogo e o PSOE está disposto a dialogar e a debater".

"It's a new political era", "É uma nova era política", disse esta noite Pablo Iglesias aos jornalistas estrangeiros que estão em Madrid. Celebrando o terceiro lugar que conquistou o Podemos, numa recuperação assinalável nas últimas semanas, o líder do partido antiausteridade garantiu que esta formação é a única capaz de garantir que Espanha é "plurinacional". Iglesias falou na necessidade de reformas constitucionais e de alterações à lei eleitoral mas não deu qualquer pista sobre o que exigira em troca delas para viabilizar acordos.

É uma nova era política

Albert Rivera, líder do Ciudadanos, partido centrista que ficou aquém do que diziam as sondagens nos últimos meses, garantiu, por seu lado: "Hoje Espanha começa uma nova era política. Temos muito trabalho pela frente e pensaremos mais do que ninguém em Espanha. Desde a transição não se consolidava um centro político. Hoje dissemos que esse centro existe". Quanto à formação de um futuro governo, Rivera declarou: "Vamos ser decisivos para formar maiorias que possam mudar o país. A partir de amanhã em Espanha vai ser possível mudar esta injusta lei eleitoral".

Vamos ser decisivos para formar maiorias

Resultados praticamente apurados

Com mais de 98% dos votos contabilizados, o PP surge com 122 deputados, o PSOE com 91, o Podemos com 69 e o Ciudadanos com 40.

Os populares de Mariano Rajoy estão longe da maioria absoluta de 176 deputados e nem com o eventual apoio do Ciudadanos conseguem lá chegar. Uma suposta coligação PSOE e Podemos também não é suficiente, mas junto com os dois deputados eleitos pela Esquerda Unida é superior à de PP e Ciudadanos.

A Esquerda Republicana da Catalunha elege 9 deputados, a Democracia e Liberdade (também catalã) oito. O Partido Nacionalista basco elege seis deputados e o Bildu dois, tal como a Esquerda Unida.

A participação é de 73%, ligeiramente superior à de 2011.

Sondagens à boca das urnas

A sondagem à boca das urnas da RTVE deram ao PP 26,8% e entre 114 e 118 deputados. O Podemos teria 21,7% e elegeria entre 76 e 80 deputados para o Parlamento. O PSOE, liderado por Pedro Sánchez, surgia em terceiro a nível de percentagem (20,5%), mas com mais deputados, entre 81 e 85. O Ciudadanos aparecia com 15,2% e elege entre 47 e 50 representantes.

Outra sondagem, da GAD 3, deu 28,1% ao PP, que conquistaria entre 121 e 124 deputados. Em segundo lugar, em percentagem, estava o Podemos, de Pablo Iglesias, com 21,1% dos votos, e entre 70 a 74 deputados. O PSOE, apesar de ter menor percentagem de votos (20,4%), conquistaria mais deputados, 83. O Ciudadanos, de Albert Rivera, ficaria em quarto com 14,9% e entre 46 e 50 deputados.

A sondagem GAD3 dava ainda 4,3% dos votos à Esquerda Unida, que elegeria entre dois e quatro deputados. O Democracia e Liberdade teria 1,8% e pode eleger entre cinco e sete representantes para o Parlamento. A Esquerda Republicana da Catalunha conseguiria 2,7% dos votos e entre oito e nove deputados. O Partido Nacionalista Basco elegeria dois a quatro deputados com 0,9% de votos. Finalmente a Coligação Canária e Geroa Bai (Navarra) podem conseguir eleger um deputado cada.

Pablo Casado, vice-secretário de Comunicação do PP, foi o primeiro a reagir aos resultados das sondagens à boca das urnas, que mostram o PP longe da maioria absoluta que tinha atualmente: "Queremos destacar que segundo as sondagens, o PP continuará a ser a força preferida dos espanhóis, a força política que ganhou as eleições gerais."

O diretor da campanha do Ciudadanos, José Manuel Villegas, qualificou de "histórico" o dia eleitoral e destacou positivamente o bom resultado dos "novos partidos". Diz que o Ciudadanos terá conseguido quatro milhões de votos. E repete que o partido votará contra qualquer coligação que inclua o Podemos: "Vamos votar contra qualquer proposta de governo que defenda um referendo para a Catalunha", afirmou.

Espanha já é outra

O diretor da campanha do Podemos, Iñigo Errejón, também já reagiu aos dados das sondagens. "Somos prudentes e ao mesmo tempo otimistas. Ninguém pode negar que acabou a alternância e o bipartidarismo. Estamos a iniciar uma nova época na história política do nosso país, Espanha já é outra", afirmou.

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