Sobrinha-neta de Disney critica prémio "absurdo" de administrador

Bob Iger recebeu 58 milhões de euros entre salários e bónus. Abigail Disney diz que poderia "ter aumentado em 15% os salários de todos os trabalhadores da Disneyland" e ainda receber prémio milionário.

A sobrinha-neta de Walt Disney criticou duramente o vencimento (entre salário e prémio) de 65,6 milhões de dólares (mais de 58 milhões de euros) recebido em 2018 por Bob Iger, presidente da empresa fundada pelo seu tio-avô, considerando "uma loucura" que alguém possa ganhar num ano o equivalente a 1400 vezes mais do que um empregado médio da empresa.

Abigail Disney, 58 anos, que é neta de Roy Disney - irmão de Walt Disney e cofundador da empresa, em 1923 - fez este desabafo na semana passada, durante um painel dedicado ao tema do capitalismo humano, numa conferência promovida pela Fast Company, considerando ainda que este patamar de vencimentos dos executivos "tem um efeito corrosivo na sociedade".

A título de exemplo, referiu que Bob Iger poderia ter "aumentado em 15 os salários de todos os trabalhadores do Disneyland Resort", em Anaheim, Califórnia, e ainda "receber um prémio de dez milhões de dólares (perto de 8,9 milhões de euros). Há um momento em que se torna demasiado. Esta classe de gente, perdoem-me por ser radical, tem demasiado dinheiro", desabafou.

Abigail, que é cineasta e membro do grupo Patriotic Millionaires que advoga, entre outras medidas promotoras da coesão social, um aumento dos impostos pagos pelos mais ricos, esclareceu não estar em causa o mérito de Iger e que não falava em nome da família ou na qualidade de "pequena acionista" da empresa mas a título pessoal. Mas insistiu na pergunta: "Que mal faria desviar parte dos benefícios, dos frutos do trabalho destes empregados, a outros que não sejam os de cima"?

A Walt Disney Company defendeu-se lembrando que pratica um salário horário de 15 dólares por hora (13,33 euros) nos seus hotéis e parques temáticos que representa "o dobro do mínimo legalmente exigido" e referindo investimentos significativos que tem feito em benefício dos seus empregados, nomeadamente um "revolucionário programa de educação".

A empresa justificou ainda que os vencimentos de Iger, que lidera a Disney desde 2000, estavam fortemente ligados ao desempenho da companhia que, sob a sua liderança, multiplicou por cinco o valor das ações (cotadas atualmente acima dos cem euros), e iniciou um ciclo de expansão que incluiu as aquisições da Pixar, Marvel, Lucasfilm e, mais recentemente, da 21st Century Fox.

Mas Abigail, que foi comentando nas redes sociais os vários ecos à sua denúncia, referiu os casos concretos de trabalhadores da empresa com os quais se deparou, nomeadamente na Califórnia, defendendo que "qualquer pessoa que contribui para o êxito de uma empresa rentável e que trabalha a tempo inteiro na mesma não deveria passar fome, não deveria racionar a insulina e não deveria dormir no seu carro".

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