"Snowden fez um favor ao mundo", diz jornalista do Guardian

Luke Harding, autor de Os Ficheiros de Snowden, está em Lisboa numa conversa sobre o ex-analista da NSA. Filme Snowden, de Oliver Stone, estreia-se amanhã nas salas portuguesas.

Pouco mudou no mundo depois das revelações de Edward Snowden sobre as práticas de espionagem da Agência Nacional de Segurança dos EUA. A diferença é que hoje sabemos as capacidades da NSA. Esta é a opinião de Luke Harding. O jornalista do The Guardian é o autor do livro Os Ficheiros de Snowden, que serviu de base para o novo filme de Oliver Stone, Snowden, que se estreia amanhã nas salas portuguesas.
Luke Harding participou hoje em Lisboa numa conversa sobre Snowden, conduzida por Micael Pereira, jornalista do Expresso. O encontro teve lugar no ISCTE.
"Snowden fez um favor ao mundo", explica Harding, "porque ficámos a saber que a ambição da NSA é saber tudo e estar em cima de tudo". Para o jornalista britânico, "a privacidade que tínhamos nos anos 80 e 90 desapareceu ou está a desaparecer".
Apesar de referir que devemos evitar ficar paranoicos, Harding explica que já tomou algumas precauções, como tapar a webcam do computador portátil e não ter conversas confidenciais junto ao iPhone.
O autor de Os Ficheiros de Snowden acredita que o mais provável é que a NSA continua a espiar vários líderes mundiais.

Edward Snowden
Para muitos um herói. Para outros um traidor. Ao serviço da Agência Nacional de Segurança dos EUA, Edward Snowden, então com 29 anos, tornou-se conhecido em 2013 depois de revelar vários documentos secretos aos jornais The Guardian e The Washington Post e à revista Der Spiegel.
Ficou a saber-se que a NSA mantinha um complexo programa de vigilância, que passava por escutas ilegais e interceções de comunicações escritas tendo como alvo milhões de pessoas, quer nos EUA, quer fora do país. Snowden, que encontrou exílio na Rússia, enfrenta nos EUA acusações de roubo de propriedade governamental e revelação de material classificado. O escândalo envolveu vários políticos, como, por exemplo, Barack Obama, presidente dos EUA, David Cameron, então primeiro-ministro britânico, e Angela Merkel, a chanceler alemã.

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