Simone Veil será a quinta mulher no Panteão. E leva o marido

A sobrevivente do Holocausto, ícone dos direitos das mulheres e defensora da União Europeia será homenageada um ano e um dia após a sua morte, aos 89 anos. Antoine Veil, falecido em 2013, acompanha a mulher.

"A mãe nunca pensou que iria para o Panteão. O único que pensava isso era o nosso pai. Ele costumava dizer, a brincar, que estava fora de questão separá-los ao fim de 67 anos a viverem juntos", disse Jean Veil, o filho mais velho de Simone Veil e Antoine Veil, à estação de televisão francesa CNews.

Ela era sobrevivente do Holocausto (foi deportada com 16 anos para Auschwitz), ícone dos direitos das mulheres (liderou a legalização do aborto em França enquanto ministra da Saúde) e defensora da União Europeia (foi a primeira mulher a ser eleita presidente do Parlamento Europeu). Ele era um alto funcionário do Estado francês. Os dois são este domingo sepultados no Panteão em Paris, numa cerimónia que conta com a presença do atual e dos ex-presidentes franceses, entre cerca de mil convidados.

Simone Veil morreu a 30 de junho de 2017, aos 89 anos, quatro anos depois do marido. Milhares de pessoas assinaram uma petição a pedir ao presidente Emmanuel Macron que pusesse ambos no Panteão. "A mamã já não nos pertence", disse Jean Veil, com 71 anos, à Franceinfo, ao lado do irmão, Pierre-François.

Simone e o marido estavam enterrados no cemitério de Montparnasse. Os corpos de ambos foram exumados na sexta-feira, ficando em câmara ardente até ao momento de ir para o Panteão na cripta do Memorial do Holocausto, que ela ajudou a criar no centro de Paris.

Na manhã de domingo, haverá um cortejo fúnebre pelo Quartier Latin e escoltado pela Guarda Republicana. Os caixões serão depois levados em ombros pela Rua Soufflot, que terá um tapete azul,"a cor da paz, das Nações Unidas e, claro, da Europa", segundo informações da presidência francesa. Macron discursará na cerimónia, que incluirá ainda o hino francês cantado por Barbara Hendricks e um minuto de silêncio.

Os caixões de Simone e Antoine Veil ficarão expostos até segunda-feira, quando serão finalmente colocados na cripta, junto a Jean Moulin (herói da Resistência francesa), o escritor André Malraux e Jean Monnet, o "pai da Europa".

Quinta mulher

Simone Veil é a quinta mulher homenageada no Panteão francês. Mas não é a única que terá o marido ao seu lado. A primeira a entrar neste mausoléu no Quartier Latin, em 1907 (mais de um século depois da primeira homenagem a Honoré Gabriel Riquti ou Voltaire em 1791), foi Sophie Berthelot. Era a mulher de Marcellin Berthelot, um químico e político francês, notabilizado pelo princípio de Thomsen-Berthelot (termoquímica).

Foi preciso esperar até abril de 1995 para a segunda mulher entrar no Panteão, a primeira homenageada pelos seus próprios méritos e contribuição para a ciência: Marie Curie, a polaca naturalizada francesa que foi prémio Nobel da Química e da Física. O seu marido, Pierre Curie, também ele Nobel da Física, repousa ao seu lado.

As outras duas mulheres homenageadas entre 76 "grandes homens" são duas figuras da Resistência Francesa: a etnóloga Germaine Tillion e a militante dos direitos humanos e sobrinha do general Charles de Gaulle, Geneviève de Gaulle-Anthonioz. As duas estiveram no campo de concentração de Ravensbrück e receberam a Grã-cruz da Legião de Honra (só cinco mulheres foram distinguidas com este galardão). A sua entrada no Panteão, em 2015, foi simbólica: o caixão de ambas contém apenas terra das campas, porque as famílias não quiseram exumar os corpos.

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