Santos Silva diz que Grupo de Contacto para a Venezuela tem de superar diferenças entre si

Chefe da diplomacia portuguesa está no Uruguai para discutir a crise venezuelana com vários países europeus e latino-americanos.

A polarização interna dentro do Grupo de Contacto Internacional sobre a Venezuela é um dos desafios para o objetivo de convocar eleições livres e transparentes naquele país, reconheceu hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

"Faz parte da própria filosofia do grupo de contacto que os países europeus dialoguem com os países latino-americanos que têm posições diferentes entre si e alguns têm posições diferentes dos países europeus", explicou o ministro Augusto Santos Silva em declarações à agência Lusa, em Montevidéu onde participa na primeira reunião do grupo.

Europeus e latino-americanos têm mostrado posições diferentes, cada vez menos neutras, e quando questionado se essa polarização interna do grupo, que parece refletir a polarização interna da própria Venezuela, não seria uma ameaça ao sucesso do próprio grupo, o ministro indicou que o avanço do grupo depende do diálogo para superar essas diferenças.

"Vamos ver. As atividades do grupo começam hoje. Nos oito países europeus que fazem parte do grupo, há também diferenças. Justamente para podermos avançar todos em conjunto, devemos falar uns com os outros mesmo que tenhamos opiniões diferentes e pontos de partidas diferentes", disse Santos Silva.

O Grupo de Contacto Internacional (GCI) nasceu como um grupo de países supostamente neutros em relação à situação política na Venezuela, mas, desde segunda-feira, os seus integrantes europeus, com exceção da Itália, deram apoio explícito ao opositor Juan Guaidó em contraposição a Nicolás Maduro.

Ao mesmo tempo, a Bolívia sempre foi um aliado acérrimo de Nicolás Maduro. E mesmo aqueles que se dizem "neutros", como o Uruguai, na prática terminam por favorecer Nicolás Maduro.

Um dos riscos que o grupo corre é o de não chegar a um consenso.

"Entre os países latino-americanos presentes nesta reunião há uns que se declararam neutrais, há outros que fazem parte do Grupo de Lima (contra Maduro e a favor de Guaidó) e há os que apoiam Nicolás Maduro, mas justamente nós devemos falar com todos para que o processo de transição possa ocorrer pacificamente", defendeu o ministro Santos Silva.

O objetivo declarado do grupo é o de ajudar a Venezuela a encontrar uma saída pacífica e democrática para a crise, através de eleições presidenciais. Os países querem contribuir para a criação das condições para esse processo de eleições livres e transparentes.

Mas nem todos os integrantes do grupo e que deveriam, por lógica, compartilhar desse objetivo defendem necessariamente as eleições.

Posição da Bolívia

Diego Pary, chanceler da Bolívia, país aliado ao chavismo venezuelano, explicou à Lusa que o seu país quer um diálogo sem condicionamentos.

"A Bolívia quer um diálogo sem condições. Quem deve definir o que vão debater e o que discutir devem ser os venezuelanos. Serão os venezuelanos os que devem resolver qual é o caminho", argumentou Parcy, afastando a obrigatoriedade da via eleitoral.

"A Bolívia rejeita qualquer ameaça de intervenção militar, sustentando que a América Latina é um continente de paz. "Jamais vamos permitir uma intervenção militar num povo irmão", acrescenta Parcy.

São oito os integrantes europeus do grupo: Portugal, França, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Holanda, Suécia e Itália. Pelo lado dos latino-americanos, está o anfitrião Uruguai, além de Equador, Costa Rica e Bolívia.

O México seria o quinto país da região. Convocou a reunião, participa do encontro, mas decidiu não integrar o grupo. A Itália participa, mas é o único país europeu no grupo de participantes que não reconheceu o opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG