Sánchez tenta unir PSOE. Rajoy seguro como líder do PP

Comité federal dos socialistas reúne-se hoje para decidir estratégia das negociações de alianças governamentais do partido

Os resultados das eleições gerais de dia 20 não criaram apenas um cenário de incerteza governativa inédito em Espanha. As votações abaixo do esperado de PP e PSOE, apesar de continuarem como os dois partidos mais votados, abriram discussões internas em torno das lideranças de Mariano Rajoy e Pedro Sánchez. No entanto, a vida do ainda primeiro-ministro é bem mais fácil do que a do secretário-geral dos socialistas, que hoje terá um dia decisivo para o seu futuro.

De um lado está Pedro Sánchez, do outro estão os líderes territoriais do PSOE, encabeçados pela presidente da Andaluzia, Susana Díaz. O secretário-geral está disposto a fazer uma aliança com o Podemos, deixando de fora o referendo à Catalunha defendido por Pablo Iglesias, os barões querem limitar o poder de negociação de Sánchez.

Este é um dos pontos de discórdia que será discutido hoje no comité federal do partido. Órgão que pode vetar todas as medidas políticas do secretário-geral, como Susana Díaz já fez questão de lembrar a Sánchez: "As políticas de alianças decidem-se no comité federal do partido", disse a andaluza esta semana em entrevista à Cadena Ser.

Outra questão em que os barões discordam do seu líder tem que ver com a data do congresso, previsto para fevereiro. Um dia depois das eleições, Sánchez anunciou que iria recandidatar-se à liderança, mas que pretendia adiar a realização do congresso para a primavera, de forma a que este não interferisse com as negociações pós-legislativas.

Ora, segundo socialistas ouvidos pelo El País, um adiamento do congresso é o que os barões querem evitar, pois se não se realizar em fevereiro, e num cenário de eleições legislativas antecipadas em março, Sánchez seria o candidato natural do partido, pois ainda ocuparia o cargo de secretário-geral.

O objetivo do líder socialista é chegar à reunião de hoje já com uma posição comum, por isso realizou ontem um encontro informal com os barões do partido. "Temos de tentar que não haja eleições, mas se continuamos sem decifrar a mensagem dos cidadãos há que concluir que as eleições terão de ser repetidas", declarou à entrada Emiliano García-Page, presidente de Castela-Mancha e um dos opositores de Sánchez. "Não vamos governar a qualquer preço porque para os socialistas primeiro está a sua ideologia e as políticas de bem-estar para os cidadãos", acrescentou.

Estabilidade é prioridade

No PP, foi o ex-primeiro-ministro José María Aznar que, numa reunião do comité executivo do partido um dia após as eleições, pediu a realização de um congresso imediato e "aberto para que os militantes possam definir o futuro do nosso projeto e eleger a direção do partido". O congresso do PP está previsto para se realizar na próxima primavera. Aznar, que não participava numa reunião deste órgão há quatro anos, tentava assim questionar a continuidade de Mariano Rajoy na liderança do partido, apesar de ter deixado logo claro que não tenciona concorrer ao lugar.

No entanto, esta jogada não teve o efeito desejado por Aznar. "Rajoy tem o carinho, a consideração e o respeito do partido", declarou ontem ao La Vanguardia um dirigente regional dos populares. "A prioridade agora é assegurar a estabilidade do governo de Espanha. Sinceramente, fazermos agora um congresso parece-me uma irresponsabilidade", disse, em entrevista ao ABC, Isabel Bonig, presidente do PP na Comunidade Valenciana.

E o primeiro primeiro-ministro, que já anunciou a recandidatura à presidência do PP, sabe que está seguro... mas que a sua longevidade como líder dos populares dependerá do sucesso das negociações para formar governo.

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