Sánchez quer maioria liderada pelo PSOE mas faltam-lhe apoios

Direção socialista é confirmada neste fim de semana no congresso do partido

Pedro Sánchez chega hoje ao 39.º Congresso do PSOE com o desejo de obter uma maioria que consiga tirar o PP de Mariano Rajoy do governo, mas com Ciudadanos e Podemos a dificultarem-lhe a concretização deste objetivo.

Num artigo de opinião publicado quinta-feira no El Mundo, e intitulado "PSOE sempre à altura", o secretário-geral dos socialistas avançava qual será a sua estratégia para o partido após a moção de censura ao governo de Mariano Rajoy apresentada nesta semana pelo Podemos, afirmando que irá esforçar-se "para conseguir o quanto antes uma ampla maioria parlamentar no Congresso que destitua o PP do governo. Mas se continuarem os vetos, procurarei decididamente esse apoio maioritário nas urnas".

Quando Sánchez fala em maioria parlamentar está a contar com o Ciudadanos e o Podemos. Mas o plano do líder dos socialistas parece ter descarrilado antes do tiro de partida, pois os elementos centristas e da extrema-esquerda não querem estar no mesmo barco.

"O Ciudadanos tem um modelo económico e um projeto de nação distinto do do Podemos", afirmou Albert Rivera. "Existem muitos socialistas que nunca partilharam desta ideia e não acredito que seja o momento de reeditar um fracasso como aquele que Pedro Sanchéz já tentou", acrescentou o líder do Ciudadanos.

"É evidente que com o Ciudadanos não se pode construir uma alternativa ao PP. Eles são a muleta perfeita do PP", afirmou, por seu turno, Irene Montero, a líder parlamentar do Podemos. "Ninguém em Espanha acredita que o Ciudadanos possa fazer parte de um governo de mudança."

Iglesias foi um pouco mais longe e pediu ontem ao secretário-geral do PSOE para "estender a mão" aos independentistas da Esquerda Republicana da Catalunha para que os três se aliem numa maioria que consiga afastar o PP do governo. Iglesias e Sánchez têm trocado mensagens e já agendaram um encontro para a próxima semana, após o congresso dos socialistas.

Adriana Lastra, a nova número dois do PSOE, garantiu ontem que para os socialistas "é necessário um entendimento" com os partidos de Rivera e Iglesias para "reverter as políticas do PP". "Vamos ter sempre os braços abertos para as forças políticas de mudança", afirmou a vice-secretária-geral, garantindo que o "PSOE não vai ser muleta do PP".

O congresso deste fim de semana servirá para confirmar a nova direção de Pedro Sánchez. Hoje, na sua inauguração, estarão presentes os ex-secretários-gerais José Luis Zapatero e Alfredo Pérez Rubalcaba, apoiantes de Susana Díaz, a grande adversária interna de Sánchez.

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