Sánchez quer discutir possível governo para expor críticos internos

Líder do PSOE está firme na intenção de vetar investidura de Mariano Rajoy. Ciudadanos recusa aliar-se aos socialistas

O secretário-geral socialista vai aproveitar o próximo comité federal do partido, marcado para dia 1 de outubro, para reafirmar a sua posição de vetar o nome de Mariano Rajoy para primeiro-ministro e a sua intenção de tentar liderar um governo de mudança. O objetivo de Pedro Sánchez é, segundo a imprensa espanhola, obrigar os seus críticos dentro do PSOE a assumirem que preferem abster-se num debate de investidura do PP.

A reunião do comité federal servirá para que a cúpula socialista defina o seu posicionamento de forma a evitar uma nova ida às urnas - que a acontecer seriam em dezembro e as terceiras legislativas no espaço de um ano. Este órgão é composto por 36 dirigentes, dos quais pelo menos uma dezena são críticos do secretário-geral.

A firme intenção de Pedro Sánchez é evitar que Mariano Rajoy consiga ver o seu nome aprovado num debate de investidura, para que ele se apresente como candidato a líder de governo.

"Defenderemos primeiro o não a Rajoy e depois vamos tentar formar um governo alternativo a Mariano Rajoy", explicaram ontem fontes socialistas ao El País.

Mas para que o líder socialista consiga chegar a primeiro-ministro - tendo em conta que o PSOE tem apenas 85 deputados e são necessários 175 para a maioria - precisa de conseguir o apoio de Ciudadanos e Podemos, o que parece cada vez mais improvável. Ou então, unir-se a Podemos e às forças independentistas com assento parlamentar, um cenário ainda mais improvável de acontecer ou ser aprovado pelos barões do PSOE.

O número de deputados conseguidos pelos socialistas nas eleições de 26 de junho é um dos motivos que levam alguns barões do PSOE, com Susana Díaz à cabeça, a defender a opção da abstenção a Rajoy, de forma a acabar com o impasse político que se vive em Espanha desde dezembro. "Com 85 deputados não se pode governar", declarou recentemente a presidente do governo da Andaluzia. Ontem, Susana Díaz disse sentir "vergonha alheia" depois de ouvir as declarações de Mariano Rajoy, nas quais o primeiro-ministro em funções admitiu estar disposto a arriscar uma terceira ida às urnas. "Se tivermos que ir a eleições, que seja, o PP ganhará com muitos mais votos", afirmou o líder dos populares.

"Espanha precisa de um governo. Se tu não podes fazê-lo, tens de deixar que alguém o faça", já disse, por seu turno, Guillermo Fernández Vara, líder da Junta da Extremadura, outro dos defensores da abstenção.

Emiliano García-Page, presidente de Castilla-La Mancha, Javier Fernández, líder do governo das Astúrias, e Javier Lambán, que preside ao governo de Aragão, também seguem esta linha de pensamento. E todos eles têm assento no comité federal do PSOE.

Neste medir de forças entre as duas fações socialistas pesará também os resultados das eleições deste domingo para os parlamentos de País Basco e Galiza, que poderão reforçar ou debilitar a posição de Sánchez dentro do partido.

Ao final do dia de ontem, o desejo de Pedro Sánchez formar governo tornou-se ainda mais complicado, pois o líder do Ciudadanos, classificou esta hipótese como "inviável". "Um governo de 85 deputados, com divisões internas, dependente de 44 partidos, é inviável. Nenhum político deveria colocar a sua ambição à frente de Espanha", escreveu Albert Rivera na sua conta do Twitter.

O líder dos Ciudadanos disse ainda que os socialistas deveriam aproveitar o próximo comité federal do partido para "passar à ação" e negociar com o PP as condições da sua abstenção.

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