Sánchez finta barões do PSOE e passa a bola aos militantes

Líder dos socialistas, Pedro Sánchez, anunciou, de surpresa, que serão os 197 militantes a decidir em primeiro lugar com quem o partido deve fazer acordos para formar governo

Pedro Sánchez fintou ontem os barões socialistas ao anunciar na abertura do comité federal do PSOE, em Madrid, que serão os militantes do partido - que andarão nos 197 mil - a decidir com quem querem que a formação política faça acordos para formar um novo governo em Espanha. Isto depois de os mesmos barões lhe terem imposto uma data para a realização do próximo congresso: no dia 8 de maio os socialistas escolherão em primárias abertas o seu secretário-geral.

Se na altura confirmarão ou não a liderança de Sánchez, é uma questão que está em aberto. Tudo depende dos candidatos rivais e do peso que tiverem no partido. O nome mais falado até agora tem sido o de Susana Díaz, presidente da Junta da Andaluzia - a única região autonómica de Espanha onde o PSOE foi o partido político mais votado nas eleições legislativas de 20 de dezembro (e mesmo assim não ganhou em todas as províncias andaluzes).

Naquele escrutínio, nenhum partido obteve maioria absoluta (de 176 deputados em 350) e nenhum conseguiu até agora um acordo com outras formações para formar um governo. O PP, que ficou em primeiro lugar, oferece uma aliança a três, com o PSOE e o Ciudadanos. O Podemos propõe uma coligação a três, com o PSOE e a Esquerda Unida. E o PSOE o que propõe ao certo? Até agora o líder dos socialistas não escolheu nenhuma das opções, preferindo passar a bola diretamente aos militantes do partido, fintando os barões do PSOE - muitos deles contra um pacto com o Podemos de Pablo Iglesias. "Estou cansada do insulto permanente e das ingerências de Iglesias", disse, ontem, Susana Díaz.

Em curso está já a segunda ronda de consultas aos partidos por parte do rei Felipe VI, no sentido de nomear um candidato ao debate de investidura. Na primeira ronda nomeou o primeiro-ministro em exercício e líder do PP. Mas Mariano Rajoy recusou o convite por considerar que não tinha apoios suficientes e que não queria que começasse a contar o prazo oficial para a formação de governo, ou seja, dois meses a contar da sessão de investidura. O rei receberá, assim, Pedro Sánchez e Mariano Rajoy na terça-feira da parte da manhã.

"Os [possíveis] acordos serão ratificados pelo comité federal e será consultada a militância. Contarei com a sua opinião, com a opinião da militância de base", declarou ontem Sánchez, perante os 300 membros do máximo órgão decisor do PSOE. A surpresa foi geral, pois o procedimento tem tanto de insólito como de inédito. Não está previsto nos estatutos do partido e agora terá que se iniciar um debate interno sobre como pôr em prática a realização dessa consulta.

A ideia, refere o' El País', é que falem primeiro os militantes e só depois o comité federal. Apesar de não ser politicamente vinculativa a decisão dos militantes socialistas e de muitos dos barões do partido poderem não concordar com ela dificilmente alguns se atreveriam a desafiá-la. Com o arrastar dos prazos para a formação de um executivo e se, entretanto, ninguém aceitar o convite do rei para o debate de investidura e conseguir um acordo para governar, poderão ser convocadas novas eleições legislativas em Espanha. Possivelmente em junho. Nessa altura os socialistas já terão reconduzido ou substituído Pedro Sánchez na liderança do PSOE.

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