Saída da União Europeia custará 5200 libras/ano a cada família britânica

Ministro das Finanças do governo de David Cameron apresenta cenário negro em caso de vitória do campo do brexit.

A economia britânica conhecerá uma contração importante e levará ao aumento do esforço fiscal das famílias caso o "sim" à saída da União Europeia (UE) saia vitorioso no referendo de 23 de junho. Foi este o cenário agitado ontem pelo ministro das Finanças George Osborne para justificar a necessidade de se votar pela permanência do Reino Unido na UE, como advoga o governo conservador David Cameron.

Osborne apresentou três cenários em caso de vitória do campo eurocético, que tem importantes apoios nas fileiras dos conservadores, cada um deles mais gravoso do que o anterior. O responsável das Finanças falava num centro ligado à indústria aeroespacial em Bristol, que trabalha em conjunto com muitas empresas de outros países da UE neste setor.

No pior cenário, em que as relações económicas do Reino Unido com a UE passariam a reger-se pelas regras gerais da Organização Mundial de Comércio, isso iria custar mais 5200 libras por ano (cerca de 6520 euros) a cada família e o Produto Interno Bruto (PIB) seria inferior em 7,5% ao previsível em caso de continuação na UE. Este cenário representaria ainda uma quebra das receitas fiscais estimada em 45 mil milhões de libras (56 mil milhões de euros).

Num segundo cenário, que contempla a assinatura de um acordo de livre comércio bilateral Reino Unido-UE, os números são um pouco menos negros, mas ainda assim graves para a economia britânica. Neste cenário, a economia contrai-se 6,2% face ao cenário previsível para a continuação na UE, a quebra da receita fiscal é na ordem dos 36 mil milhões de libras (cerca de 45 mil milhões de euros) e o custo para as famílias é de 4300 libras por ano (cerca de 5400 euros).

A solução de um acordo bilateral Londres-UE é defendida, por exemplo, pelo Mayor conservador de Londres, Boris Johnson, que advoga a saída e é visto como candidato à sucessão de Cameron na liderança do partido em 2020.

Finalmente, no terceiro cenário, que comportaria a permanência no espaço do mercado único europeu e a aceitação das diretivas de Bruxelas e as regras do livre movimento de pessoas e capitais, a economia britânica contrair-se-ia 3,8% e a quebra da receita fiscal seria na ordem dos 20 mil milhões de libras (25 mil milhões de euros); o custo para as famílias seria de 2600 libras (cerca de 3260 euros).

A intervenção de Osborne surge num momento em que as sondagens mostram o campo do brexit (partidários da saída da UE) e da permanência praticamente empatados. No entanto, a Reuters citava ontem uma YouGov em que os inquiridos, confrontados com o cenário da saída da UE ter implicações financeiras para eles (no caso, cem libras/ano, equivalente a 125 euros), 45% desejaria a permanência enquanto 36% mantinha-se favorável à saída.

O campo do brexit respondeu de imediato aos argumentos de Osborne, acusando-o de manipular os números e de, para chegar às conclusões apresentadas, faltar a promessas eleitorais, como a redução real do número de migrantes, ou de não levar em linha de conta a poupança de dinheiros públicos resultante da não aplicação das "regras de Bruxelas" e o fim das transferências de fundos do Reino Unido para a UE na qualidade de contribuinte líquido.

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