Rússia e China ainda não felicitam Joe Biden. "É correto esperar os resultados oficiais"

Presidente russo aguarda o anúncio do resultado oficial das eleições presidenciais norte-americanas para felicitar o vencedor. A China também decidiu ainda não felicitar Joe Biden, alegando que o resultado final ainda não é conhecido.

O presidente Russo, Vladimir Putin, aguarda o anúncio do resultado oficial das eleições norte-americanas, após o presidente Donald Trump contestar a vitória anunciada de Joe Biden na justiça, informou esta segunda-feira o Kremlin.

"Consideramos que é correto esperar os resultados oficiais das eleições. Quero recordar que o presidente Putin disse muitas vezes que respeitará a escolha do povo norte-americano, seja ela qual for", disse aos jornalistas o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.

Vladimir Putin felicitou Donald Trump pela sua eleição em 2016 pouco após as projeções dos 'media' norte-americanos lhe darem a vitória, mas Peskov argumentou que nessa altura "não havia contestação jurídica dos resultados".

Ao contrário da maioria dos países do mundo, a Rússia, tal como a China, o México e o Brasil, não felicitaram o Presidente eleito, Joe Biden, pela vitória.

Donald Trump recusou reconhecer a vitória do seu rival nas eleições de terça-feira, anunciada no sábado, e denunciou, sem apresentar provas, fraudes a favor do democrata, prometendo ações na justiça para contestar o resultado.

A responsável da comissão eleitoral russa, Ella Pamfilova, considerou esta segunda-feira que o voto por correspondência nos EUA abriu "um espaço imenso" para possíveis fraudes eleitorais.

Segundo Pamfilova, o sistema de voto por correio nos EUA permitiria "votos múltiplos, perdas de boletins 'indesejáveis' ou o aumento do voto dos mortos".

Há vários meses que o Presidente Donald Trump lança suspeições sobre a legitimidade do resultado final das eleições, alegando não ter confiança nos votos por correspondência, que este ano bateram máximos, com mais de 100 milhões de eleitores a escolherem esta opção, por causa, entre outras razões, da pandemia de covid-19.

Relações EUA-Rússia

As relações entre Washington e Moscovo deterioraram-se desde que a Rússia foi acusada de ingerência nas presidenciais de 2016 para favorecer a eleição de Donald Trump.

O milionário norte-americano negou sempre ter beneficiado dos esforços russos, tal como Putin, apesar de as conclusões dos inspetores norte-americanos terem levado à imposição de sanções contra a Rússia.

A eleição de Joe Biden poderá aumentar as tensões com Moscovo, já que o antigo vice-presidente de Barack Obama prometeu sempre mais firmeza relativamente a Moscovo.

Segundo Peskov, Putin está "pronto a trabalhar com qualquer Presidente dos Estados Unidos", e a Rússia espera que com "o próximo" seja possível "um diálogo e um entendimento sobre as vias para normalizar as relações bilaterais".

China alega que resultado final ainda não é conhecido

A China decidiu não felicitar Joe Biden por sua vitória na eleição presidencial dos Estados Unidos, alegando que o resultado final ainda não é conhecido.

"Tomamos conhecimento de que Biden se declarou vencedor nas eleições", afirmou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Wang Wenbin.

"O resultado da eleição será determinado de acordo com as leis e procedimentos dos Estados Unidos", completou, dois dias depois da vitória do candidato democrata, contestada pelo presidente republicano Donald Trump.

Em novembro de 2016, quando Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, o presidente chinês Xi Jinping felicitou-o um dia depois das eleições.

Embora a derrota do candidato republicano possa representar um alívio para a China, envolvida numa guerra comercial iniciada por Washington em 2018, alguns analistas apontam que Pequim possa temer que Joe Biden faça uma pressão maior na área dos direitos humanos.

Questionado sobre o tema, o porta-voz chinês respondeu que o seu país continua determinado a defender "sua soberania, sua segurança e o seu desenvolvimento".

"Esperamos que a próxima administração americana dê mostras de uma vontade de conciliação", declarou.

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