Rouhani quer aviões, carros, energia e infraestruturas

Acordos entre Irão e Itália na ordem dos 15 a 18 mil milhões. Líder iraniano segue para Paris e fechará aí outros investimentos.

O presidente Hassan Rouhani chegou ontem a Roma com uma delegação de cerca de 120 pessoas, a grande maioria empresários, o que revela por si só qual o principal objetivo da viagem: o relançamento das relações económicas entre o Irão e a Europa, após o fim de uma década de sanções das Nações Unidas e da União Europeia. Os Estados Unidos impuseram sanções ao Irão desde a queda do regime do xá, em 1979, e foram-nas ampliando posteriormente.

O valor dos contratos a assinar em Itália, incidindo principalmente nos setores da energia e da siderurgia, deve situar-se entre os 15 e os 18 mil milhões de euros, indicavam os media económicos deste país.

A escolha de Itália como primeiro país europeu visitado por Rouhani, de onde segue depois para França, está diretamente relacionada com o facto de esta, antes da aplicação de sanções pela ONU e UE, deter a posição de principal parceiro económico e comercial do Irão. Com o fim das sanções, Roma e Teerão esperam retomar o forte nível de relacionamento entre as duas economias. Um indicador a atestar esta relação e o modo como as sanções a afetaram é dado pela quebra nas trocas comerciais que passaram, em 2012, de 7 mil milhões de euros para 1,5 mil milhões em 2014. Este valor, em si mesmo relevante, explica-se por relações comerciais em setores não abrangidos por sanções, como as indústrias automóvel e químico-farmacêutica. Por outro lado, o declínio no total das transações explica-se pelas sanções que visavam o setor bancário e impossibilitavam, ou tornavam muito difícil, a realização de negócios em áreas não afetadas por aquelas, pela impossibilidade de recurso a instrumentos de crédito e garantias indispensáveis à sua concretização.

Rouhani esteve reunido com o seu homólogo italiano, Sergio Matarella, e com o primeiro-ministro Matteo Renzi. Hoje, reúne-se com o Papa Francisco, num encontro tanto ou mais significativo quanto o facto de ter sido um outro presidente iraniano, também, considerado reformista a ser recebido no Vaticano: Mohammad Khatami, em 1999, que então se encontrou com João Paulo II.

Ainda em Roma, está agendado para hoje um seminário com cerca de 500 empresários italianos, principalmente das indústrias automobilística, da energia (a elétrica ENEL e a petrolífera ENI), da construção civil e do setor bancário. Este último é essencial para a concretização da meta de crescimento económico defendida pelo presidente iraniano, que é de 8% ao ano. Para isso, o país precisa de investimento externo na ordem dos 37 a 46 mil milhões de euros, explicou Rouhani na passada semana.

Os contactos intensificaram-se em novembro e tiveram uma primeira concretização com a visita de uma delegação a Teerão, em dezembro. Está prevista para a segunda semana de fevereiro a viagem de novo grupo de empresários e ministros italianos à capital iraniana.

A dimensão do Irão - quase 80 milhões de pessoas, das quais cerca de 30% com menos de 18 anos - e a sua rápida taxa de urbanização - 80% da população a viver em centros urbanos até 2030 - tornam-no um mercado atrativo para as empresas europeias. Uma atração ampliada pelas indispensáveis modernização e renovação de setores inteiros da atividade económica e de infraestruturas.

Exemplo claro destas necessidades é evidenciado pelo acordo para compra de 114 Airbus (A320 e A340 novos e usados), que se espera seja assinado em Paris, onde Rouhani chega amanhã. Esta será a primeira fatia num total de 500 aviões a adquirir pelo Irão para modernizar a sua frota, afirmou recentemente o ministro dos Transportes Abbas Akhoundi.

Além do contrato com a Airbus, o próprio Rouhani, à partida de Teerão, referiu a concretização de acordos com a Renault e a Peugeot.

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