Roubadas dois milhões de máscaras na Galiza. Podem ter vindo para Portugal

Empresário de Santiago de Compostela foi detido por ser o alegado autor do roubo e intermediário da venda de material de proteção avaliado em cinco milhões de euros. Polícia galega suspeita que foi adquirido por empresa portuguesa.

Um empresário de Santiago de Compostela foi detido pela Polícia autonómica da Galiza por suspeitas de ter sido o autor de um roubo de quase dois milhões de máscaras, entre outro material de proteção, avaliado em cerca de cinco milhões de euros. Tudo indica que o galego vendeu o material a empresa portuguesa e por isso foi solicitada a colaboração das autoridades de Portugal para identificar os alegados recetores deste material, como explica o jornal La Voz de Galicia.

A operação, divulgada esta segunda-feira (6 de abril) pela Junta da Galiza, ocorreu no Polígono de Tambre, em Santiago de Compostela. As autoridades galegas agiram após tomarem conhecimento que poderia haver "um grande número de máscaras FFP2, luvas cirúrgicas, uniformes médicos, armários de medicamentos e álcool no pavilhão industrial", disse o vice-presidente da Junta regional, Alfonso Rueda, em comunicado.

A empresa, que se dedica à venda de equipamentos médicos, está atualmente falida e os agentes da polícia solicitaram a autorização do administrador de insolvência para acederem ao interior, onde verificaram que a mercadoria tinha sido roubada, informa a imprensa espanhola.

Deram conta que as máscaras foram roubadas quase na totalidade, restavam apenas cinco mil unidades. O material roubado, avaliado em aproximadamente cinco milhões de euros, foi retirados das caixas e plásticos de proteção com o "objetivo de ocultar a sua proveniência", aponta a Junta da Galiza.

Alfonso Rueda afirmou que "tudo parece indicar que o assalto ocorreu quando a pandemia de coronavírus já estava presente em vários países e estava considerada um problema de saúde pública". Assim, disse este responsável, os autores do crime "estavam plenamente conscientes de que este era um material muito necessário para combate à doença e que já era escasso".

Perante a evidência de roubo, a investigação seguiu as pistas mais comuns: a verificação das imagens das câmaras de videovigilância e as declarações de testemunhas. Dessa forma, "toda a investigação apontou para um empresário na cidade" que tinha sido visto junto ao armazém e que, recentemente, teve uma suposta reunião com cidadãos portugueses que, posteriormente, acederam ao interior da empresa, revelaram as autoridades da Galiza.

A hipótese mais provável, realçou o vice-presidente Alfonso Rueda, "é que, depois de roubar o equipamento médico, este foi vendido para uma empresa sediada em Portugal".

O empresário foi detido pela alegada participação no crime de roubo, foi presente a um juiz mas acabou por sair em liberdade.

Prosseguem as investigações para localizar os outros autores e as pessoas que receberam o material em Portugal, tendo sido solicitada a colaboração das forças de segurança portuguesas.

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