Anthony Faucy diz ter sido ameaçado de morte

O especialista em doenças infecciosas da Casa Branca, Anthony Fauci teve de contratar seguranças para o protegerem a si e à sua família. Pandemia fez sobressair "o melhor e o pior das pessoas", diz

Anthony Fauci, o maior especialista em doenças infecciosas dos Estados Unidos, teve que contratar seguranças para o protegerem a ele e à sua família depois de receber ameaças de morte em resposta ao seu trabalho para impedir a disseminação do coronavírus.

Fauci, que tem colaborado com a Casa Branca no combate à covid-19, disse à CNN que a pandemia trouxe à tona "o melhor e o pior das pessoas". "Recebi ameaças de morte para mim e para a minha família e mensagens de assédio às minhas filhas ao ponto de ter obter segurança, é incrível", revelou.

A administração de Donald Trump subestimou consistentemente a ameaça à saúde pública do coronavírus, mas Fauci pautou por ter um discurso contrário. Desde os primeiros dias da pandemia, Fauci tem feito intervenções bruscas sobre a crise de saúde em aparições na segurança social e em comentários na Casa Branca.

"Eu não teria imaginado nem nos meus sonhos mais loucos que as pessoas que se opõem a coisas que são puros princípios de saúde pública estão tão obcecadas em contrariar que não gostam do que eu ou você dizemos e por isso fazem essas ameaças", acrescentou.

Os EUA registaram mais de 158 mil mortes relacionadas com a covid-19 e mais de 4,8 milhões de casos confirmados, segundo a Universidade Johns Hopkins, muito mais do que qualquer outro país.

Em entrevista ao podcast do Pulse Check, do Politico, divulgada esta quinta-feira, Fauci foi mais específico sobre as ameaças de morte de que foi alvo e disse que trabalhou para ignorar as teorias da conspiração online sobre ele.

"Há uma coisa absurda à qual me oponho, que é o efeito que isto tem sobre minha família", acrescentou o médico: "Quando se recebe ameaças de morte que exigem proteção de seguranças durante todo o tempo e quando eles começam a incomodar os nossos filhos através do telefone e no trabalho e interferirem nas vidas deles, isso irrita-me e devo-o dizer."

Em julho, funcionários e consultores de Trump minaram publicamente Fauci e tentaram desacreditar a experiência dele. O consultor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, chegou ao ponto de atacar Fauci num artigo no jornal USA Today, onde disse que trata os conselhos do médico com "ceticismo e cautela".

Após a publicação do artigo de Navarro, Trump insistiu que mantinha um bom relacionamento com Fauci, que trabalhou com seis presidentes durante os seus 35 anos como chefe do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid) do National Institutes of Health.

Porém, no sábado Trump escreveu "errado!" num tweet que incluía um vídeo de Fauci a falar sobre como os EUA viram mais casos do que outros países porque só fizeram um confinamento parcial no início do ano. Três dias depois, Trump advertiu publicamente outro membro da taskforce do coronavírus na Casa Branca, Deborah Birx.

Fontes anónimas disseram ao Washington Post em abril que Fauci exigia segurança pessoal em todos os momentos por causa das ameaças à sua segurança, bem como das manifestações de apoio que recebia dos seus apoiantes.

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