Rocket é uma "provocação" e exige "resposta robusta"

Conselho de Segurança da ONU reuniu-se de emergência e condenou, com o apoio da China, o lançamento norte-coreano

A Coreia do Norte lançou ontem um rocket de longo alcance que diz transportar um satélite, ato que os países vizinhos e a generalidade das nações ocidentais veem como uma "provocação". Pyongyang realizou um teste nuclear a 6 de janeiro e havia anunciado na semana passada o lançamento, neste mês, de um rocket transportando um satélite, que a maioria vê como uma dissimulação para um teste de mísseis balísticos que viola resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

No comunicado lido na televisão, o regime de Kim Jong-un reclamou o seu "direito legítimo" de "usar o espaço com fins pacíficos e independentes" e prometeu "lançar mais satélites no futuro", no seguimento da política de "dar prioridade à ciência e à tecnologia". Peritos da Coreia do Sul estimam que o rocket possa ter um alcance de mais de dez mil quilómetros, uma distância superior à que separa a península coreana do território continental dos Estados Unidos.

E as reações não se fizeram esperar, incluindo da China - talvez o único aliado do regime norte-coreano, mas que condena o seu programa nuclear -, que lamentou o lançamento do rocket. Também a Rússia, próxima da Coreia do Norte, considerou o ato "muito prejudicial" para a segurança regional.

"O caminho escolhido por Pyongyang não pode senão suscitar um protesto firme", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. "Recomendamos urgentemente aos dirigentes norte--coreanos que se questionem se a política que consiste em opor-se à comunidade internacional interessa ao seu país", adiantava o mesmo comunicado.

A União Europeia classificou este lançamento como "mais uma grave e flagrante violação" das obrigações do regime e instou-o a dialogar com a comunidade internacional. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, reiterou o pedido a Pyongyang para que "volte a comprometer-se com um diálogo credível e frutífero com a comunidade internacional, em particular no âmbito das conversações a seis" - EUA, China, Rússia, Japão e as duas Coreias.

O Reino Unido, a Alemanha e a França falaram em "provocação sem sentido" de Pyongyang, prometendo trabalhar com os aliados numa "resposta robusta".

Há consenso

Já a vizinha Coreia do Sul e os Estados Unidos decidiram abrir conversações formais com vista à instalação de um sistema antimísseis norte-americano na península coreana, a que a China se opõe, segundo anunciou Seul.

Estes dois países, a par do Japão, pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir o lançamento do rocket de longo alcance da Coreia do Norte, encontro que se realizou ontem à tarde. "O Conselho de Segurança das Nações Unidas devia tomar rapidamente medidas punitivas fortes", disse a presidente sul-coreana, Park Geun-hye.

Após uma curta reunião, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu condenar "firmemente" o lançamento de um rocket pela Coreia do Norte e anunciou que vai aprovar em breve novas sanções contra o país.

A declaração foi unânime, o que significa que foi apoiada pela China, principal aliado de Pyongyang, e pelos restantes 14 países que compõem o organismo.

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