Farron deixa liderança do Lib Dem pela sua fé

Britânico estava à frente dos liberais democratas desde julho de 2015

O líder do Partido Liberal-Democrata, Tim Farron, anunciou esta quarta-feira a demissão do cargo por se sentir "dividido" entre a sua fé cristã e o seu papel enquanto político.

"Desde o meu primeiro dia à frente do partido, confrontei-me com perguntas sobre a minha fé cristã. Tentei dar-lhes resposta com elegância e paciência. Às vezes, as minhas respostas poderiam ter sido mais sábias", explicou em comunicado Farron, que foi criticado dentro do próprio partido pelas suas opiniões sobre a homossexualidade e o aborto.

"As consequências do destaque dado à minha fé são que me achei dividido entre viver a minha fé cristã e servir como político", acrescentou Tim Farron, que assumiu a liderança do Partido Liberal-Democrata a 16 de julho de 2015.

O cristão evangélico concluiu que "ser um líder político -- em particular de um partido progressista e liberal em 2017 -- e viver como um cristão empenhado em cumprir fielmente os ensinamentos da Bíblia se tornou impossível" para si.

Tim Farron, de 47 anos, casado e com quatro filhos, recusou-se quatro vezes, durante uma entrevista ao canal televisivo Channel 4, a dizer se considerava que ser homossexual era um pecado. Acabou por dizer que não considerava essa orientação sexual um pecado, mas não conseguiu calar as vozes críticas.

Nas eleições legislativas de 08 de junho, os Lib-Dem conseguiram obter um total de 12 mandatos parlamentares, mais três que os anteriores nove, depois de terem feito uma campanha convictamente pró-europeia.

Desejoso de recuperar o voto dos pró-UE, a formação política autoproclamou-se o partido dos 48%, numa referência à percentagem dos eleitores britânicos que votaram contra uma saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 23 de junho de 2016.

No seu programa eleitoral, o Partido Liberal-Democrata prometia organizar um novo referendo sobre o 'Brexit' e garantir os direitos dos cidadãos europeus que trabalham na assistência social e no serviço público de saúde (NHS).

Entre os possíveis candidatos à sua sucessão, figuram o antigo ministro do Tesouro Vince Cable, o ex-ministro da Energia Ed Davey e a deputada Jo Swinson.

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