Reino Unido volta a pôr Portugal Continental na "lista negra". Suécia passa a ser "segura"

A partir de sábado quem chegar a Inglaterra proveniente do nosso país tem de se submeter a uma quarentena de 14 dias. A decisão foi anunciada pelo ministro britânico dos Transportes e surge devido a aumento de novos casos que Portugal tem registado nos últimos dias. Já a Suécia passou a destino "seguro".

O governo britânico voltou a tirar Portugal continental da lista dos países seguros no âmbito da pandemia de covid-19. Mas os Açores e a Madeira mantêm-se. A informação foi avançada, esta quinta-feira, pelo ministro dos Transportes britânico Grant Shapps.

E se Portugal continental está de novo incluído na "lista negra" do governo britânico, a Suécia foi adicionada à lista dos países seguros.

A decisão entra em vigor a partir de sábado (12 de setembro) e implica que quem chegar a Inglaterra proveniente do nosso país, com exceção da Madeira e dos Açores, tem de cumprir um período de quarentena de 14 dias, conforme explica Shapps no Twitter. Uma decisão do governo britânico que já era esperada devido ao aumento do número de casos que Portugal tem registado nos últimos dias.

Ministro britânico já tinha avisado: "as coisas podem mudar rapidamente"

"Os dados mostram que precisamos de remover Portugal (menos os Açores e Madeira), Hungria, Polinésia Francesa, Ilha da Reunião da lista de Corredores de Viagem para manter todos seguros. Se chegar a Inglaterra a partir desses destinos depois das 04:00 de sábado, tem de auto isolar-se durante 14 dias", escreveu o ministro na rede social.

"Através de informação aperfeiçoada, agora temos a capacidade de avaliar ilhas separadas dos seus países continentais. Se chegar a Inglaterra vindo dos Açores ou Madeira, não precisará de se isolar por 14 dias", explicou Grant Shapps.

Informou também que quem vier da Suécia passa agora a estar isento de quarentena.

Já na semana passada, a Escócia tinha excluído Portugal da sua lista de "corredores internacionais", medida que entrou em vigor a partir de 5 de setembro. O País de Gales aplicou restrições um dia antes, mas também manteve a Madeira e Açores isentos de quarentena.

O governo autónomo da Irlanda do Norte ainda não anunciou uma alteração nas restrições, mas em geral acompanha as decisões de Londres.

A 20 de agosto, o mesmo ministro britânico anunciava que Portugal saía da lista vermelha de corredores turísticos, pelo que quem viajasse para o nosso país não tinha de se sujeitar a uma quarentena de 14 dias quando regressasse a Inglaterra. Na altura, Shapps avisou que "as coisas podem mudar rapidamente".

Na altura, o ministro britânico alegou a "taxa de positividade" de Portugal que estava em declínio.

Aumento de novos casos na base da decisão do governo britânico

O aumento contínuo do número de casos de infeção em Portugal terá pesado na decisão, que era esperada na semana passada, quando ultrapassou o valor de 20 casos por 100 mil habitantes.

O índice de transmissibilidade efetivo (Rt) encontra-se atualmente nos 1,12, um valor considerado de risco.

A situação epidemiológica em Portugal agravou-se desde meados de agosto, tendo sido registadas 3.909 novas infeções entre 17 e 30 de agosto, de acordo com a informação da Direção-geral da Saúde (DGS) divulgada durante a reunião do Infarmed desta segunda-feira, que juntou políticos, peritos e parceiros sociais.

Na quarta-feira, Portugal confirmou 646 novos casos, o número diário de infeções mais elevado desde 20 de abril. Hoje, o boletim epidemiológico da DGS indica que o nosso país registou, nas últimas 24 horas, mais 585 casos de covid-19 (um crescimento de 0,95% em relação ao dia anterior).

No total, desde que a pandemia começou, registaram-se 62 126 infetados, 43 441 recuperados e​ 1 852 vítimas mortais no nosso país.

Portugal tem neste momento 16 833 casos ativos, mais 425 do que ontem.

A região com o maior número de infetados nas últimas 24 horas é o Norte, que acrescentou 268 novas infeções (46% do total diário). Seguem-se Lisboa e Vale do Tejo (mais 239 casos), o Centro (mais 50), o Alentejo (mais 15), o Algarve (mais 6), a Madeira (mais seis) e os Açores (mais um).

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