Reino Unido e EUA suspeitam de atentado no voo de Sharm El-Sheik

Governo britânico teme que o acidente com avião russo tenha sido causado por uma bomba e quer investigar antes de deixar partir aviões

O Reino Unido e os Estados Unidos suspeitam que o avião que se despenhou no Egito, na Península do Sinai, caiu devido a um engenho explosivo. Depois de o Reino Unido ter decidido suspender todos os voos Sharm el-Sheik com destino ao país, devido a estas fortes suspeitas, a CNN avança que os últimos relatórios dos serviços secretos norte-americanos apontam também para a explosão de uma bomba ter causado a queda do avião russo, com 224 pessoas a bordo.

Fonte dos seviços secretos disse à CNN que, embora não existam conclusões oficiais, a investigação aponta para a existência de uma bomba colocada pelo grupo Estado Islâmico ou por um grupo afiliado.

Uma porta-voz de Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro britânico, confirmou a medida de suspensão dos voos, considerada "provisória", à imprensa local: "Enquanto a investigação prossegue não podemos afirmar categoricamente a razão pela qual se despenhou o avião russo. Mas à medida que mais informação vai sendo conhecida, ficámos mais preocupados com a hipótese de ter sido um engenho explosivo a provocar a queda do avião. À luz deste facto, e como medida de precaução, decidimos que os voos que deveriam partir de Sharm para o Reino Unido esta noite seriam atrasados. Isto dará tempo a que uma equipa de especialistas britânicos, que neste momento estão em viagem para Sharm, avalie os procedimentos de segurança no aeroporto e identifique se mais alguma ação é necessária. Esperamos que esta avaliação fique completa esta noite".

O Governo admitiu que a medida poderá ser "preocupante" para os britânicos de férias no 'resort' e para aqueles que têm viagens marcadas para Sharm el-Sheik, aconselhando os cidadãos a entrar em contacto com as companhias aéreas e operadores turísticos.

Segundo o Telegraph, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, estará presente ainda esta quarta-feira numa reunião convocada de urgência para debater a matéria.

O correspondente da BBC no Egito adianta que, nesta altura, cerca de dois mil britânicos estarão de férias em Sharm el-Sheik. Para quinta-feira de manhã, estão agendados dois voos com destino ao 'resort' no aeroporto de Gatwick.

As autoridades russas e egípcias estão a conduzir investigações ao acidente, que fez 224 vítimas mortais, na sua maioria de nacionalidade russa. O Reino Unido é o primeiro país a fazer uma declaração em que assume suspeita de atentado à bomba no acidente: James Clapper, o diretor dos serviços secretos norte-americanos, já veio dizer que não há prova direta de terrorismo na queda do Airbus A 321 da Metrojet, não sendo de descartar a hipótese de uma explosão, mesmo que possa ter sido causada por uma falha mecânica. Um satélite norte-americano terá mesmo registado um foco de calor que coincide com o momento do acidente.

Os responsáveis da companhia russa, no entanto, asseguram que o acidente se deve a um "factor externo", rejeitando falha técnica ou erro humano. Na terça-feira, a agência russa Interfax alegou ter tido acesso às transcrições do áudio no cockpit, referindo que foram registados ruídos atípicos imediatamente antes de o avião se despenhar.

Segundo a agência Reuters, que cita um comunicado do Ministério da Aviação Civil emitido esta quarta-feira, a caixa negra que regista o áudio do cockpit do avião está parcialmente danificada e exigirá "muito trabalho" para que seja extraída qualquer informação.

Também esta quarta-feira, o Estado Islâmico voltou a reivindicar o ataque: numa mensagem divulgada em 'sites extremistas', o grupo 'jihadista' afirmou que divulgará pormenores do ataque quando entender e desafiou aqueles que duvidam do ataque a demonstrar o que aconteceu.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG