Reino Unido e Itália batem recorde diário de novos casos desde o início da pandemia

O Reino Unido registou nas últimas 24 horas um total de 26 688 novos infetados. Itália anunciou 15 199 de casos durante o mesmo período.

O Reino Unido e a Itália registaram esta quarta-feira um número recorde de testes positivos por covid-19 em apenas 24 horas: 26 688 novos infetados no caso inglês; 15 199 e 127 óbitos em Itália

No caso do Reino Unido, este foi o maior aumento aumento diário desde 4 de outubro, quando foram registado 22 961 casos, embora esse número tenha sido inflacionado devido a uma falha no sistema. Também foram confirmados mais 191 mortes.

Nos últimos sete dias morreram no Reino Unido 1.003 pessoas vítimas de covid-19, um aumento de 57% relativamente aos sete dias anteriores, e estão hospitalizados cerca de 6.500 pessoas, das quais 629 com auxílio respiratório de ventilador.

O total acumulado desde o início da pandemia covid-19 no Reino Unido é agora de 789.229 casos de infeção confirmados e de 44.158 óbitos registados num período de 28 dias após as vítimas terem recebido um teste positivo.

O governo britânico anunciou hoje que a região de South Yorkshire, no norte de Inglaterra, vai passar para nível máximo de restrições a partir de sábado, juntamente com a área metropolitana de Manchester.

Tal como nas regiões de Liverpool e de Lancashire, onde já estão em vigor, agregados familiares diferentes deixam de poder socializar em espaços fechados, 'pubs' e bares são obrigados a fechar, a não ser que sirvam refeições, e os residentes são aconselhados a não viajar para fora das áreas afetada pelas restrições.

Outras atividades, como ginásios, casas de apostas, casinos ou parques infantis fechados, podem também ser encerrados.

A partir do fim de semana, 7,3 milhões de pessoas, ou 13% da população da Inglaterra, vão estar sob estas regras, todas no norte de Inglaterra.

Em South Yorkshire, as novas restrições vão aplicar-se a cidades como Barnsley, Doncaster, Rotherham, Sheffield, onde as taxas de infeção variam entre os 285 casos e 402 casos por 100 mil habitantes.

"Todos nós reconhecemos a gravidade da situação e optámos pelo caminho responsável para garantir que salvamos vidas e meios de subsistência", disse o Presidente da Câmara Municipal de Sheffield, Dan Jarvis, que reivindicou um pacote de 41 milhões de libras (45 milhões de euros).

Na Grande Manchester, a segunda maior zona urbana no Reino Unido, onde as taxas de infecção rondam os 430 casos por 100 mil habitantes e o número de pacientes hospitalizados com covid-19 está próximo do valor de abril, as principais cidades afetadas são Bolton, Manchester, Oldham, Rochdale, Salford, Stockport ou Wigan.

Neste último caso, as restrições foram impostas pelo governo apesar da resistência de autarcas locais liderados pelo presidente da Câmara Municipal, Andy Burnham, que exigia no mínimo um apoio adicional de 65 milhões de libras (72 milhões de euros) para ajudar trabalhadores e empresas.

"As pessoas aqui na Grande Manchester vivem sob restrições há três meses e estas têm causado muitos problemas às pessoas. Eles estão com dificuldades. As empresas estão à beira da falência. Aceitar quaisquer outras restrições nestas circunstâncias aumentariam certamente os níveis de pobreza, de falta de alojamento e de miséria na região da cidade", denunciou o trabalhista na terça-feira.

O governo do primeiro-ministro Boris Johnson continua a resistir a decretar um curto confinamento em todo o país para conter a disseminação do novo coronavírus, optando por uma estratégia de restrições a aplicar localmente numa escala de três níveis de risco, médio, alto ou muito alto.

Em toda a Inglaterra, são proibidos ajuntamentos com mais de seis pessoas e bares e restaurantes têm de fechar às 22:00 horas, mas 28 milhões de pessoas, ou cerca de metade da população, incluindo Londres, vivem agora sob restrições mais apertadas por estarem no segundo ou terceiro nível de risco.

Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm autonomia sobre a matéria da saúde e estabelecem as suas próprias medidas.

Itália também bate recorde de casos

A Itália também anunciou esta quarta-feira o maior número diário de novos casos de infeção registado no país desde o início da pandemia do novo coronavírus, 15.199, contabilizando também 127 óbitos, valor que não era verificado desde maio.

Trata-se de um número de contágios diários que nunca tinha sido verificado em Itália desde o início da crise da doença covid-19 no país, em 21 de fevereiro.

Até à data, o valor máximo de novas infeções tinha sido verificado no sábado passado, com a contabilização de 10.925 casos.

De acordo com o Ministério da Saúde italiano, este novo valor máximo de infeções também se verifica num dia em que foi batido um recorde de testes de diagnósticos realizados, quase 178.000 nas últimas 24 horas.

Em termos totais, e desde o início da crise da doença covid-19 no país, Itália contabiliza 449.648 casos de pessoas que ficaram infetadas pelo novo coronavírus, segundo os dados fornecidos pelas autoridades italianas.

Segundo os dados relativos às últimas 24 horas, a região do país mais afetada é a Lombardia (norte), com 4.125 novos positivos, mais do dobro em comparação com o dia anterior.

A Campânia (sul), com 1.760 novos casos nas últimas 24 horas, é outras das zonas em destaque.

Estas duas regiões vão aplicar um recolher obrigatório noturno a partir de quinta e sexta-feira, respetivamente.

O consultor do Ministério da Saúde italiano, Walter Ricciardi, admitiu hoje, entretanto, que a pandemia já está "fora de controlo" em algumas zonas metropolitanas do país, como é o caso de Milão (norte), Nápoles (sul) e da capital Roma, e como tal, frisou o especialista, vão ser necessárias medidas mais contundentes.

"Algumas áreas, como Milão, Nápoles e provavelmente Roma, já estão fora de controlo do ponto de vista do controlo da pandemia, têm números demasiado altos para serem travados com o método tradicional de testes e rastreamento", disse o consultor durante uma conferência realizada numa universidade italiana.

Walter Ricciardi, que integra a delegação italiana junto da Organização Mundial da Saúde (OMS), assinalou que, e como demonstra a história, "quando não se consegue conter um vírus, este deve ser mitigado".

Por isso, na opinião do especialista, é necessário "bloquear a mobilidade" das pessoas para reduzir as ocasiões de contágio.

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