Rei da Tailândia morre aos 88 anos depois de sete décadas no poder

Bhumibol Adulyadej era o monarca há mais tempo no trono em todo o mundo

O rei da Taiândia, Bhumibol Adulyadej, morreu aos 88 anos, anunciou esta quinta-feira fonte do palácio real tailandês. Adulyadej tinha 88 anos e estava há sete décadas no poder. Era o monarca que estava há mais tempo no trono em todo o mundo. Venerado na Tailândia, era visto como uma figura unificadora no país marcado por rivalidades políticas.

O monarca estava internado no hospital Siriraj, em Banguecoque, no exterior do qual estavam concentradas há dias centenas de pessoas a rezar pela saúde do rei.

"Às 15:52 (09:52 em Lisboa), morreu pacificamente no hospital Siriraj", refere um comunicado.

"A equipa médica foi inexcedível, mas a sua condição deteriorou-se", acrescentou a nota do palácio real.

Todas as cadeias de televisão interromperam a emissão e transmitiram um anúncio especial, que começou com imagens a preto e branco do rei.

Um homem, de fato e camisa pretos, leu a a mesma declaração, divulgada minutos antes.

A 9 de outubro, o palácio real tinha anunciado que o estado de saúde do monarca tailandês "não estava estabilizado" e tinha sido colocado sob respiração assistida, depois de a tensão arterial ter baixado quando estava a ser preparado para diálise e mudança de um dreno.

Durante os últimos meses, o palácio real publicou regularmente comunicados sobre o estado de saúde do rei, que sofria de insuficiência renal.

Nos últimos dois anos, Bhumibol Adulyadej esteve quase sempre hospitalizado devido a infeções bacterianas, dificuldades respiratórias, problemas cardíacos e hidrocefalia - acumulação de líquido cefalorraquidiano no cérebro. Não era visto em público há cerca de um ano.

O herdeiro do trono da Tailândia é o príncipe Maha Vajiralongkorn, de 64 anos, que tem vivido grande parte do tempo no estrangeiro.

Perfil. O semideus e benfeitor da nação

Bhumibol Adulyadej chegou ao poder em 9 de junho de 1946, depois da morte do irmão mais velho, o rei Ananda Mahidol, vítima de um acidente com arma de fogo, no palácio real de Banguecoque. O acidente ficou até hoje por explicar.

No início do reinado, já depois da abolição da monarquia absoluta no país, em 1932, o papel do rei foi ensombrado por uma série de líderes militares fortes.

Mas com o apoio de outros membros da família real e alguns generais, Bhumibol Adulyadej fortaleceu o papel da monarquia, com uma série de visitas às províncias mais remotas e através de numerosos projetos de desenvolvimento agrícola.

Apresentado como um semideus e benfeitor da nação, as suas imagens são omnipresentes no país e o culto da personalidade foi reforçado após o golpe de Estado de 22 de maio de 2014, realizado pelos militares em nome da defesa da monarquia.

A família real tailandesa está protegida por uma das leis sobre lesa-majestade mais severas do mundo, e nos últimos dois anos, os processos por crimes de ofensa à monarquia multiplicaram-se e as sanções aumentaram.

Em agosto de 2015, um homem foi condenado a 30 anos de prisão e uma mulher a 28 anos depois de terem publicado na rede social Facebook várias mensagens consideradas insultuosas para a família real tailandesa.

Sem qualquer prerrogativa constitucional, Bhumibol Adulyadej exerceu uma enorme autoridade moral e foi sempre visto como a única personalidade capaz de unir os tailandeses.

Oficialmente, o rei está acima da política, mas Bhumibol interveio em alturas de grande tensão - 1973, 1981 e 1992 -, assistindo a numerosos golpes militares, 19 constituições e ainda mais primeiros-ministros, para encontrar soluções não-violentas em algumas crises.

Alguns críticos contestaram esta versão e argumentaram que Bhumibol Adulyadej apoiou golpes militares e, por vezes, não denunciou violações dos direitos humanos.

Cada vez mais fraco e doente, o rei assistiu em maio de 2014 a mais um golpe de Estado, que colocou no poder o general Prayuth Chan-o-cha. Três meses depois, em agosto, o rei apoiou formalmente Prayuth no cargo de primeiro-ministro.

Nascido em Cambridge, Massachusetts (Estados Unidos), Bhumibol Adulyadej viveu e estudou na Suíça até final da Segunda Guerra Mundial.

Em 2006, recebeu do então secretário-geral da ONU Kofi Annan o primeiro prémio de mérito de Desenvolvimento Humano.

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