Refugiados. UE tem dez dias até à rutura total de Schengen

Comissário europeu espera "resultados tangíveis" até à cimeira com a Turquia. Grécia chama embaixador grego em Viena após ficar de fora de reunião sobre crise migratória

O comissário europeu para as migrações, Dimitris Avramopoulos avisou ontem para a possibilidade de uma "rutura total" do sistema de migrações. Avramopoulos espera que nos próximos "dez dias", até à cimeira da União Europeia com a Turquia (7 de março), sejam alcançados "resultados tangíveis" em matéria de refugiados, para evitar essa "rutura" do espaço Schengen.

"Nos próximos dez dias, precisamos de resultados tangíveis e claros no terreno. Caso contrário, há risco de rutura total do sistema", avisou o comissário no final da reunião do conselho de Justiça e Assuntos Internos, em Bruxelas, dedicado à crise de refugiados. Sete Estados membros já reinstalaram os controlos fronteiriços, aumentando a pressão sobre a Grécia, que não consegue lidar com os migrantes que chegam da Turquia. Mais países ameaçam fazer o mesmo caso não haja uma diminuição do número de entradas.

O debate foi marcado por discussões acesas entre os ministros grego e austríaco, depois de o governo de Viena ter excluído Atenas de uma reunião com países dos Balcãs para discutir a crise migratória. Antes da reunião, o ministro austríaco dos Negócios Estrangeiros, Sebastian Kurz, acusou Atenas de "não se manifestar interessada em qualquer solução" e, em vez disso, facilitar a passagem de migrantes para o norte da Europa. A Áustria defende a expulsão da Grécia de Schengen.

Em protesto, o ministro grego dos Negócios Estrangeiros, Nikos Kotzias, chamou a Atenas o embaixador grego em Viena. O objetivo é "salvaguardar as relações de amizade entre os Estados e os povos", com o ministro a alegar que "os grandes problemas da UE não podem ser tratados, com pensamentos e mentalidades (...) do século XIX".

"Não é só um problema grego"

A ministra da Administração Interna portuguesa, Constança Urbano de Sousa, defendeu que a Grécia não pode ser abandonada sozinha para resolver o problema interno com os refugiados que diariamente continuam a chegar às ilhas gregas. A ministra reiterou que o problema diz respeito a toda a Europa. "A fronteira grega também é fronteira da União Europeia. E, o problema [de migrantes e refugiados] não é só um problema grego. É um problema comum a todos os estados", afirmou.

Portugal voltou a manifestar a disponibilidade para receber refugiados que se encontram na Grécia. Constança Urbano de Sousa diz que Portugal está disponível "para receber 1288 pessoas", até ao final do ano. Para a semana chega ao país um grupo de 37 refugiados, a maioria eritreus, vindos de Itália.

Questionada sobre a atuação da Áustria, ao convocar uma reunião com países dos Balcãs, excluindo Atenas do encontro, a ministra defendeu que a solução deve passar pelo reforço do controlo das fronteiras exteriores e não por medidas unilaterais. "É essencial reforçarmos o controlo da fronteira externa para impedir medidas unilaterais de reposição de controlo nas fronteiras internas", defendeu, considerando que "a solução" que precisa de ser encontrada "tem que ser europeia" e deverá passar "por um reforço da capacitação da Grécia para poder lidar com este problema".

Em Bruxelas

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