Rebeldes abandonam Homs após trégua com Bashar al-Assad

Representantes dos vários grupos opositores ao regime estão reunidos para definir uma estratégia para o período de transição. Rússia, Estados Unidos e ONU vão fazer balanço amanhã

Foi de autocarro que centenas de rebeldes sírios e suas famílias abandonaram ontem a cidade de Homs, batizada pelos insurgentes como "a capital da revolução", na sequência de uma quase inédita trégua com o regime de Bashar al-Assad nos quase cinco anos de guerra civil. A nova morada destas pessoas é, como ficou estabelecido no acordo, a zona insurgente no noroeste da Síria, junto à fronteira com a Turquia.

De acordo com o governador de Homs, Talal al-Barazi, saíram da cidade 15 autocarros, que levavam 300 rebeldes, que levavam consigo algumas armas ligeiras, e 400 membros das suas famílias. Alguns dos autocarros saíram logo pela manhã, à tarde alguns ainda faziam fila para sair de Waer, um bairro de Homs. Para facilitar a espera, trabalhadores humanitários distribuíram sumos às crianças que assomavam às janelas dos autocarros.

Barazi adiantou ainda que os autocarros farão uma paragem em Hama, onde os rebeldes que o desejem poderão desembarcar, antes de seguir viagem para Idlib, um reduto insurgente, incluindo da Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, localizado junto à fronteira com a Turquia.

Na opinião do governador de Homs, os rebeldes que abandonaram agora a cidade são "militantes que rejeitam o acordo" concluído entre os rebeldes e o regime sírio no dia 01 de dezembro, sob a supervisão da ONU, e que prevê a partida de 2000 insurgentes, na sua maioria residentes em Waer. A aplicação deste acordo poderá levar até dois meses.

"O bairro de Waer ficará completamente seguro e não terá armas após a implementação do acordo", explicou Talal al-Barazi, adiantando que as forças de segurança voltarão a patrulhar a área e serão as únicas armadas.

Encontro em Nova Iorque

Rússia, Estados Unidos e Nações Unidas vão discutir amanhã em Genebra a crise na Síria, anunciou ontem o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura. O último encontro internacional sobre o tema realizou-se o mês passado em Viena e contou também com participação de países como Turquia, Arábia Saudita e Irão.

"Vamos apresentar a nossa visão da situação [na Síria], com realce para a necessidade de intensificar a luta contra o terrorismo, que é uma prioridade para nós. Vamos pedir um aumento dos esforços conjuntos nesta área", declarou ontem o ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Gennady Gatilov.

Na reunião de amanhã não estarão o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, e o seu homólogo norte-americano, John Kerry. Os dois diplomatas irão encontrar-se na próxima semana em Moscovo.

Ontem, mas em Riade, representantes das principais fações políticas e militares da oposição síria começaram reuniões para tentarem concertar as suas posições e formar uma equipa para eventuais negociações com o regime sírio. Entre os presentes estão a Coligação Nacional Síria, o principal grupo no exterior e o Conselho de Coordenação Nacional, uma das mais importantes organizações da oposição tolerada pelo regime. Mas também os líderes das minorias étnicas e religiosas da Síria e rebeldes do moderado Exército Livre Sírio, assim como outras 15 fações armadas.

Este encontro responde ao pedido dos países que, a 14 de novembro, participaram na conferência de Viena, bem como de diferentes membros da oposição. O objetivo é definir posturas e eleger os representantes da oposição nas futuras negociações com o regime sírio na fase transitória, de acordo com a conferência de Genebra 2.

Naquela cidade suíça foi acordada, em junho de 2012, a formação de um governo transitório integrado pelo regime de Bashar al-Assad e pela oposição para pôr fim à guerra na Síria.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, propôs na terça-feira que a próxima conferência internacional para impulsionar a paz na Síria se realize a 18 de dezembro em Nova Iorque.

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