Rajoy recusa grande coligação à alemã com Sánchez. Rivera rejeita solução à portuguesa

Candidatos fazem as contas às alianças que terão de fazer no final da noite eleitoral, em que nenhum partido deverá ter a maioria

Nem grande coligação à alemã nem solução à portuguesa. O último dia da campanha para as legislativas espanholas esteve marcado pela discussão sobre os possíveis cenários na noite eleitoral. É que as sondagens dizem que o Partido Popular vai perder a maioria absoluta de que goza atualmente e em cima da mesa estão as possíveis alianças que daí podem advir. O primeiro-ministro, Mariano Rajoy, já recusou a ideia de uma grande coligação com o PSOE - ao estilo da que ocorreu na Alemanha entre sociais-democratas e conservadores. Por seu lado, o líder do Ciudadanos, Albert Rivera, afasta a hipótese de apoiar o perdedor para derrubar o vencedor.

"Votarei contra quem tente formar um grupo de perdedores para derrubar uma lista que ganha as eleições, porque Espanha vai mal mas pode ir pior", disse Rivera, que aposta no fim do bipartidarismo e recusa uma solução à portuguesa. Em Portugal, a coligação PSD/CDS- -PP venceu as legislativas, mas foi derrubada no Parlamento pela maioria de esquerda, que abriu caminho à nomeação de António Costa como primeiro-ministro.

"Não apoiaremos um governo de Rajoy ou Sánchez. Iremos abster--nos e votaremos "não" a tripartidos de perdedores ou coligações com independentistas ou antissistema", indicou a equipa do Ciudadanos, numa alusão à possível aliança de esquerdas entre PSOE e Podemos para tentar derrubar o PP. Uma hipótese ontem repetida por vários dirigentes populares. No Twitter, Rivera resumiu a questão: "Se ganharmos, peço ao PP e ao PSOE que se abstenham e nos deixem governar. Se ganha um deles, nós vamos fazê-lo e estaremos na oposição."

"Quem ganha deve governar"

O primeiro-ministro, Mariano Rajoy, que tenta a reeleição por mais quatro anos, explicou em Bruxelas (onde assistiu ao Conselho Europeu) a sua visão. "A posição do PP é que quem ganha deve governar. É a vontade do povo e é o que sempre aconteceu desde 1977. Se alguém quer que ganhe o PP o que deve fazer é dar-nos o seu voto e apoio. Se alguém não quer uma coligação do Podemos, do PSOE e de outros partidos de esquerda ou extrema esquerda, o melhor que pode fazer é dar o seu voto ao PP."

E insistiu no discurso de que só o seu partido pode garantir a continuidade da recuperação de Espanha: "Se não queremos atirar borda fora os esforços dos espanhóis e pôr em perigo o futuro, o PP é o que está mais preparado e o mais capaz de seguir com o trabalho duro e difícil destes quatro anos", acrescentou o primeiro-ministro. Rajoy disse que, para si, um bom resultado no domingo é "ser a primeira força política e governar".

O primeiro-ministro negou ainda as informações avançadas mais cedo de que estaria a planear uma grande coligação com os socialistas. "Não sei quem o propôs. Eu não fui. Ninguém propôs no PP essa coligação", afirmou Rajoy numa entrevista à rádio espanhola. O primeiro-ministro também recusa a notícia de que a negociação com os socialistas passava pelo afastamento de Pedro Sánchez: "Uma coligação com o PSOE mudando de secretário-geral não está em cima da mesa."

A reação à alegada proposta dos populares de pactuarem com os socialistas veio da presidente da Junta da Andaluzia e líder regional do PSOE, Susana Díaz: "É patético e de perdedores que o PP sugira uma coligação com o PSOE", assegurou, acrescentando que "mais que nunca é preciso derrotá-los para que Espanha mude".

Sondagens

Na última sondagem Sigma Dos, divulgada pelo El Mundo na segunda-feira, o PP surge à frente com 27,2% da estimativa de voto (longe dos 44,6% que obteve em 2011). Segue-se o PSOE com 20,3%, o Ciudadanos com 19,6% e o Podemos com 18,4%. No mesmo dia, outra sondagem, da Metroscopia para o El País, dava 25,3% ao PP, 25,3%, 21% ao PSOE, 19,1% ao Podemos e 18,2% ao Ciudadanos.

Os jornais espanhóis estão proibidos de publicar sondagens desde segunda-feira, mas continuam a fazê-las - tal como os partidos políticos. E tudo aponta para uma recuperação do Podemos, liderado por Pablo Iglesias, na reta final da campanha, depois de uma primeira arrancada do Ciudadanos. De tal forma que deverá ser a terceira força política em Espanha. Rajoy foi mesmo apanhado em Bruxelas a dizer a uma surpreendida chanceler alemã, Angela Merkel, que o Podemos poderá mesmo ser a segunda força política do país. "Boa-noite, Valência. Sorriam, porque vamos ganhar", disse ontem Pablo Iglesias no início do discurso final da campanha.

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