Rajoy admite que o mais provável é haver novas eleições em junho

Líder do PP foi apanhado a fazer confidência ao primeiro-ministro britânico durante o Conselho Europeu

Em Madrid, o clima é de negociações partidárias para que se resolva o impasse político criado pelo resultado das eleições de 20 de dezembro, com o PP a oferecer ontem um cargo de vice-primeiro-ministro de um governo liderado por Mariano Rajoy ao PSOE e outro ao Ciudadanos. Em Bruxelas, o ainda líder do governo espanhol foi apanhado a dizer ao seu homólogo britânico que o mais provável é que se realizem umas novas eleições legislativas em Espanha a 26 de junho.

"Temos uma sessão de investidura em março e acredito que não vai acontecer", pode ver-se Mariano Rajoy a dizer a David Cameron nas imagens do Conselho Europeu divulgadas pelos media espanhóis. O debate de investidura de Pedro Sánchez está marcado para 2 de março. No dia seguinte realiza-se a primeira votação, na qual, conseguindo uma maioria absoluta, o socialista se torna primeiro-ministro.

"O mais provável é que tenhamos novas eleições a 26 de junho... o mais provável", prossegue Rajoy. Esta data marca o final do prazo de 54 dias para a realização de eleições a partir de uma potencial dissolução do Parlamento espanhol, que poderá ocorrer a 3 de maio.

Ao que o primeiro-ministro britânico responde: "Então seriam nas mesmas datas que o nosso referendo sobre a Europa?" "Sim, o mesmo dia", anui o espanhol. "Então tiveste eleições no natal e agora no verão... Tentaste de tudo!", termina Cameron, numa conversa sempre em tom bem disposto e que durou cerca de 30 segundos.

De referir que neste curto diálogo Cameron falou em inglês, Rajoy em espanhol e os dois entenderam-se com a ajuda de um tradutor, apesar de ser claro que o líder popular percebe inglês.

Esta conversa deixa bem claro que Mariano Rajoy não acredita que o secretário-geral do PSOE vai conseguir conquistar os votos da maioria do Parlamento no debate de investidura, marcado para 2 de março. E que ele próprio falhará essa tarefa caso volte a ser convidado pelo rei Felipe VI.

Para se conseguir uma maioria absoluta é necessário ter o apoio de, pelo menos, 176 deputados. Com os resultados das eleições gerais de 20 de dezembro, os quatro maiores partidos estão representados da seguinte forma: PP tem 123, o PSOE 90, o Podemos 69 e o Ciudadanos 40. Ou seja, neste cenário, uma maioria absoluta só é possível com uma aliança entre populares, socialistas e um dos outros - sendo que o Ciudadanos é o único que está em negociações com os dois lados.

Ataque a líder do PSOE

Mas até 2 de março o tempo é de negociações e o PP, apesar da incredulidade de Rajoy, mantém-se em jogo para continuar no poder. E foi nesse sentido que ontem o vice-secretário nacional do partido, Javier Maroto, anunciou que Mariano Rajoy estava disposto a oferecer um cargo de vice-primeiro-ministro a Pedro Sánchez e outro a Albert Rivera, o líder do Ciudadanos.

"Parece que o senhor Sánchez se incomoda muito que lhe ofereçam vice-primeiros-ministros com nome, apelido e funções. A nós não. Se acharmos que o Partido Socialista e Ciudadanos querem uma vice-presidência do governo não temos nenhum problema em aceitá-lo porque é razoável partilhar em coligação o programa que se quer gerir", acrescentou o responsável popular, referindo-se aos problemas entre Sánchez e Pablo Iglesias, o líder do Podemos, que se ofereceu para ser vice do socialista em caso de uma aliança.

A oferta de Rajoy foi prontamente rejeitada por Albert Rivera. "Rajoy não é o candidato. Não há nada para falar", declarou José Manuel Villegas, vice-secretário-geral do Ciudadanos, o único partido que se mostrou disponível para negociar com o PP, mas que não se coíbe de lhe fazer criticas. "O senhor Rajoy atirou a toalha no seu momento. Não sei se avaliou a gravidade do gesto. O senhor Rajoy não vai ter mais apoios e duvido que ele próprio se considere um candidato à Moncloa, quando declinou o convite por não ter esses apoios. Não tinha nenhuma lógica", referiu Villegas.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG