Radouane Lakdim: de dealer a terrorista

Homem, que matou três pessoas em França, é franco-marroquino de 26 anos e já tinha estado preso por crimes de delito comum. Tinha ido levar a irmã à escola antes do ataque

Radouane Lakdim saiu de casa esta quarta-feira de manhã para levar uma das irmãs mais novas à escola. O que se passou a seguir foi tudo menos rotineiro. O homem franco-marroquino é o autor identificado do ataque terrorista que aconteceu esta manhã em Carcassonne, no qual matou três pessoas, entre os quais um português de 27 anos, e feriu outras cinco.

O jovem de 26 anos já era conhecido das autoridades, mas por atividades criminosas que nada tinham a ver com terrorismo ou o auto-proclamado Estado Islâmico. Primeiro esteve preso por uso e porte de arma, em 2015, e por posse e venda de droga, em 2016, explicou François Molins, procurador de Paris, citado pelo Le Parisien. Crimes distantes de qualquer suspeita terrorista.

No entanto, o facto de ser presença assídua nas páginas online do movimento salafista (corrente ortodoxa ultra-conservadora do islamismo sunita) fez com que fosse vigiado pelos serviços secretos, desde 2013. Está ainda por confirmar uma possível viagem à Síria de Radouane Lakdim. Ainda assim, o próprio ministro do Interior francês, Gérard Collomb, admitiu que nada fazia prever que os seus crimes podem tornar-se mais graves e escalar para o terrorismo.

O franco-marroquino foi abatido pela polícia no interior do supermercado onde se tinha barricado, depois de ter roubado um carro, onde matou um ocupante, que era português, e feriu o condutor. Dentro de um supermercado voltou a disparar e matou duas pessoas. Em estado muito grave está também o polícia que trocou de lugar com os reféns e acabou a ser baleado.

O procurador de Paris acredita que Radouane Lakdim atuou sozinho. O terrorista terá gritado dentro do supermercado, em Trèbes, "Allah Akbar" (Alá é Grande) e terá exigido a libertação de Salah Abdeslam, o único terrorista vivo e detido dos ataques de 13 de novembro de 2015, em Paris.

Radouene Lakdim vivia com os pais e as suas três ou quatro irmãs. Os vizinhos viram-no sair de casa para levar uma delas à escola de manhá. E descrevem-no como um jovem "simpático", "calmo" e "sempre com uma palavra amável".

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